O jornal britânico Financial Times publicou neste sábado (26) uma reportagem de capa que compara o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro à família de Donald Trump. O texto chama o clã de "tão radical quanto disfuncional" e cita um "estilo de política paranoico".

A reportagem, assinada por Michael Pooler, chefe do FT no Brasil, saiu a uma semana do 1º turno. O título é "Scandal and succession in the House of Bolsonaro". Segundo o texto, os dois clãs misturam celebridade, redes sociais e busca pelo poder.

O FT descreve Jair Bolsonaro como um "rei-sol em declínio", hoje condenado a 27 anos de prisão. Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência aos 45 anos, é o "moderado autodeclarado" do grupo, questionado por nunca ter ocupado cargo executivo.

Carlos Bolsonaro, 43 anos, é o "pit bull da família", por comandar a estratégia de redes sociais e a linguagem mais agressiva da base. Já Eduardo Bolsonaro, 42, mora no Texas (EUA) desde 2025 e teve a condenação mantida pelo STF por maioria de votos.

Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e candidata ao Senado, é descrita como a possível "arma secreta" do grupo. O FT diz que ela pode virar a representante bolsonarista de maior alcance nacional caso seja eleita.

A reportagem lembra que, em junho, Michelle acusou Flávio de humilhá-la durante uma disputa interna do partido, chamando o episódio de "uma facada nas costas". Os dois reataram a relação política em meados de agosto.

Segundo o FT, o pastor Silas Malafaia, aliado próximo da família, resumiu a disputa interna:

A briga é sobre quem vai carregar o nome.

A reportagem também cita o áudio vazado em que Flávio pede recursos a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel.

Uma delação já havia ligado Vorcaro ao financiamento da produção. Em transmissão ao vivo, Flávio negou que o filme tenha recebido R$ 400 milhões e rejeitou a versão de que parte dos recursos passou por paraísos fiscais.

O texto também apresenta o ministro do STF Alexandre de Moraes como a figura central na derrocada do bolsonarismo, ao lado dos processos que levaram à condenação de Jair Bolsonaro.

Em agosto, o próprio FT já havia noticiado que os Estados Unidos avaliavam reimpor sanções contra o ministro.

Segundo a reportagem, pesquisas mostram cenário apertado entre Flávio e o presidente Lula (PT) num eventual 2º turno, enquanto casas de apostas dão vantagem ao candidato do PL. O 1º turno está marcado para 4 de outubro.

O que acontece agora

A campanha de Flávio Bolsonaro segue no fim de semana que antecede o primeiro turno, marcado para o dia 4 de outubro, quando eleitores escolhem presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais em todo o país.

Se nenhum candidato passar de 50% dos votos válidos, o segundo turno ocorre em 25 de outubro.