A Vale divulgou na noite desta quinta-feira (30) o balanço do segundo trimestre de 2026 e registrou lucro líquido de US$ 1,37 bilhão atribuível aos acionistas, uma queda de 35% na comparação com o mesmo período do ano passado. O número ficou abaixo do consenso de analistas compilado pela LSEG, que projetava US$ 1,84 bilhão.

Medida em reais, a retração é ainda maior: o lucro líquido foi de R$ 6,847 bilhões, ante R$ 12,081 bilhões no segundo trimestre de 2025 — recuo de 43,3%. A diferença entre os dois percentuais é efeito da valorização do real frente ao dólar no período, que também aparece entre as explicações da própria companhia para o resultado, ao lado do encarecimento do combustível bunker, que pressionou as despesas com frete.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o lucro caiu 27%.

Receita e Ebitda

A receita líquida de vendas somou US$ 10,5 bilhões, em linha com o consenso LSEG e com alta de 19% em 12 meses e de 13% ante o trimestre anterior. Em reais, a receita foi de R$ 53,012 bilhões, avanço de 6,4% sobre os R$ 49,8 bilhões de um ano antes. A China respondeu por R$ 26,697 bilhões da receita do período.

O Ebitda ajustado ficou em US$ 3,67 bilhões, alta de 9% na comparação anual, mas abaixo dos US$ 3,8 bilhões esperados pelo mercado. O Ebitda proforma somou US$ 4,06 bilhões, com alta de 19% e margem estável em 39%.

O desempenho por divisão foi desigual. O Ebitda de Soluções de Minério de Ferro caiu para R$ 15,4 bilhões, ante R$ 16,847 bilhões um ano antes. Já o de Metais Básicos subiu 79% na comparação anual, para R$ 6,5 bilhões — contra R$ 4,04 bilhões —, puxado pelo cobre, que passou de R$ 3,046 bilhões para R$ 5,177 bilhões, e pelo níquel, que foi de R$ 1,109 bilhão para R$ 1,481 bilhão.

O fluxo de caixa livre chegou a US$ 1,505 bilhão, crescimento de US$ 497 milhões em um ano. A dívida líquida expandida caiu US$ 1,1 bilhão no trimestre, para US$ 16,7 bilhões, e a dívida bruta encerrou o período em US$ 18,9 bilhões, com custo médio anual de 5,6%.

"Entregamos resultados sólidos na comparação anual em todos os negócios, com minério de ferro atingindo sua maior produção para segundo trimestre desde 2018", afirmou o presidente da companhia, Gustavo Pimenta.

Custo do minério sobe e guidance é revisado

O custo caixa C1 do minério de ferro subiu 9% no trimestre, para US$ 24,1 por tonelada, e o custo all-in avançou 18%, para US$ 61,6 por tonelada. Diante disso, a mineradora elevou a previsão de custos para 2026: o C1 passou da faixa de US$ 20,00 a US$ 21,50 para US$ 22,50 a US$ 23,50 por tonelada, e o all-in saiu de US$ 52 a US$ 56 para US$ 58 a US$ 62 por tonelada. As novas projeções assumem câmbio de R$ 5,13 por dólar e petróleo Brent a US$ 86.

Nos metais básicos, a revisão foi favorável. A projeção de produção de cobre subiu para 360 mil a 380 mil toneladas (antes 350 mil a 380 mil) e a de níquel, para 185 mil a 200 mil toneladas (antes 175 mil a 200 mil). O custo all-in do cobre foi reduzido para até US$ 500 por tonelada, ante a faixa anterior de US$ 1.000 a US$ 1.500, e o do níquel caiu para US$ 10.000 a US$ 11.500 por tonelada, contra US$ 12.000 a US$ 13.500.

Apesar do lucro menor, a Vale anunciou R$ 8,64 bilhões em proventos — R$ 6,68 bilhões na forma de juros sobre capital próprio (JCP) e R$ 1,97 bilhão em dividendos —, o equivalente a R$ 2,03 por ação. O pagamento está marcado para 2 de setembro, com data-base em 11 de agosto na B3 e em 13 de agosto para os recibos negociados na Bolsa de Nova York.

Também foi aprovado um programa de recompra de até 100 milhões de ações, com prazo de 18 meses, o equivalente a cerca de 2,3% do capital da companhia.