A Polícia Civil do Rio Grande do Sul busca imagens de câmeras de segurança para identificar quem matou Patrícia Cristina Pereira, de 31 anos, e a filha dela, de 13, encontradas mortas em casa em Candelária (RS) na terça-feira (29/09).

A investigação trabalha com duas hipóteses, homicídio ou feminicídio, e já tem três suspeitos, cujos nomes não foram divulgados. Até a manhã desta sexta-feira (2/10), ninguém havia sido preso. A polícia investiga se há relação com a morte dos pais de Patrícia, em 2012.

Segundo a Polícia Civil, as vítimas foram mortas a facadas, e a arma do crime não foi localizada. A casa tinha sinais de arrombamento, mas nada foi levado do imóvel.

Uma ação bastante cruel. Aparentemente, elas foram atacadas quando estavam na cama dormindo, sem possibilidade de defesa.

A avaliação é do delegado Paulo César Schirrmann, responsável pela apuração, em entrevista à Folha. Para ele, ainda faltam provas para pedir a prisão dos suspeitos à Justiça.

O delegado descartou a hipótese de latrocínio, já que nada foi roubado da casa. "O latrocínio está descartado, porque não há subtração de nada", disse à Folha.

Como os corpos foram encontrados

Patrícia e a filha não eram vistas desde domingo (27/09); as mortes teriam ocorrido na madrugada de segunda (28/09). Foi a babá das crianças mais novas de Patrícia quem encontrou os corpos, na terça-feira, e acionou a Brigada Militar.

A babá tentou contato por telefone no domingo para devolver as crianças a Patrícia, sem resposta. Foi até a casa na terça-feira, encontrou as vítimas e acionou a polícia.

Além da filha de 13 anos, Patrícia era mãe de outros três filhos, uma menina de 10 anos e gêmeos de 9 meses.

Após o crime, os bebês foram levados pelo Conselho Tutelar aos cuidados do pai, de quem Patrícia estava separada havia cerca de cinco meses.

A menina de 10 anos segue com a babá.

O que a polícia ainda investiga

A polícia acredita que o alvo era Patrícia e que o assassino não sabia que a adolescente estava em casa, morta, segundo a hipótese, para não deixar testemunha. Três celulares apreendidos na casa foram enviados para perícia.

Casos de feminicídio levados à Justiça costumam resultar em penas longas, como mostrou a condenação a 65 anos de prisão de um homem em Minas Gerais. Em Candelária, porém, a apuração ainda está no início, sem suspeito preso.

O Rio Grande do Sul vem debatendo o tema no ano eleitoral. Candidatos ao governo do estado chegaram a propor políticas de aluguel social para vítimas de violência doméstica.

Em outro caso de feminicídio no estado, a Justiça já determinou que o condenado pague pensão aos dependentes da vítima.

O que acontece agora

A perícia nos três celulares apreendidos e a análise de imagens de câmeras da região devem orientar os próximos passos da investigação. Não há data prevista para um pedido de prisão.