Paulo Sirqueira Korek Farias, o Paulo Camarão, presidente do Esporte Clube Água Santa, foi preso neste sábado (19), horas depois de se entregar à Corregedoria da Polícia Civil em São Paulo. Ele é investigado por suposta ligação com o PCC no transporte público paulista.
Korek se apresentou e prestou depoimento na Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele permaneceu detido à disposição da Justiça, em cumprimento de mandado de prisão temporária.
"A Polícia Civil esclarece que o homem citado foi preso, neste sábado (19), em cumprimento de mandado de prisão temporária", diz nota da corporação, que confirma o depoimento na Dise de Mogi das Cruzes, com acompanhamento da Corregedoria.
Korek era foragido desde quinta-feira (17). Em vídeo gravado antes de se entregar, disse temer pela própria vida e pediu acompanhamento do Ministério Público durante a apresentação à polícia.
O empresário é investigado na Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do PCC no sistema de transporte público de São Paulo. Ele administra as empresas Translíder e A2 Transportes e é apontado pelas investigações como testa de ferro da facção.
O PCC está entre os grupos de uma lista antiterror dos EUA que soma 13 organizações ligadas ao crime na América Latina.
No mesmo vídeo, Korek nega as acusações. Ele critica o trabalho do delegado Fabrício Intelizano, responsável pela operação, chamando a atuação dele de "obscura".
O que é a Operação Vectura Corrupta?
A operação apura a infiltração do PCC no transporte público de São Paulo desde 17 de setembro. Segundo o Ministério Público, ao menos 12 empresas de transporte de passageiros seriam controladas direta ou indiretamente pela facção.
A Justiça autorizou 16 mandados de prisão e 18 de busca. É a mesma operação que prendeu, na sexta-feira (18), o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, que também nega envolvimento com o PCC.
Sob a gestão de Korek, o Água Santa viveu o auge de sua história: foi vice-campeão do Paulistão em 2023, superando São Paulo e Red Bull Bragantino a caminho da final. Hoje o time está na Série A2, após ser rebaixado em 2025.
A operação atinge ao mesmo tempo o transporte público, o futebol e a política de São Paulo.
O caso se soma a outros episódios de suspeita de influência da facção na política paulista, incluindo uma investigação distinta sobre financiamento de campanha eleitoral com dinheiro do PCC.
O que acontece agora
Korek fica preso por até 30 dias, prazo da prisão temporária que pode ser prorrogado por igual período, enquanto a Polícia Civil e o Ministério Público seguem investigando. Outros quatro alvos da operação permanecem foragidos.































