A Caixa Econômica Federal reabriu neste domingo (13) a mesa de negociação com os bancários, que estão em greve por tempo indeterminado desde o dia 10 de setembro. Em comunicado às unidades, o banco suspendeu as medidas administrativas previstas na CE VIPES 11183/2026 enquanto durarem as conversas com o sindicato.

A paralisação foi aprovada em 93 das 128 bases sindicais que rejeitaram a proposta da Caixa em assembleias por todo o país. O centro da discórdia é o Saúde Caixa, plano de saúde dos empregados.

Segundo a Contec, confederação da categoria, a proposta do banco pode elevar em cerca de 50% o valor pago pelos beneficiários em alguns casos. A rejeição foi ampla também nas bases regionais.

No Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos 1.167 participantes votaram contra a proposta final na noite de sexta-feira (11). Antes do recuo de hoje, a Caixa cogitava retirar a oferta e abrir dissídio coletivo na Justiça do Trabalho.

Para o sindicato, o recuo confirma que a pressão funcionou. "Esse recuo da Caixa é uma vitória importante para a categoria", disse Élcio Quinta, presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região.

O secretário-geral da entidade, Ricardo Saraiva Big, completou: "O recuo da Caixa mostra que o caminho é a mobilização".

O caso contrasta com o do Banco do Brasil, que fechou acordo com os empregados também na sexta-feira (11), em assembleia de ampla aprovação. O texto vale até 2028 e amplia a licença-paternidade de 20 para 35 dias.

O BB evitou, assim, a paralisação que atinge a concorrente estatal.

O que muda para quem é cliente da Caixa?

Quem é cliente da Caixa não perde acesso a serviços essenciais durante a greve. O aplicativo, o internet banking, os caixas eletrônicos e as lotéricas seguem funcionando, e o pagamento do INSS e do Bolsa Família não é interrompido.

O atraso fica restrito a operações que dependem de atendimento presencial, como correção de dados cadastrais, emissão de novo Cartão do Cidadão e desbloqueio de cartão. Recursos do FGTS continuam acessíveis pelos canais eletrônicos.

Para o cliente comum, a disputa é quase invisível: o desconforto está nos bastidores da negociação, não no caixa eletrônico.

Relembre o caso

A categoria aprovou a greve por tempo indeterminado e cruzou os braços a partir do dia 10, depois de rejeitar a primeira proposta da Caixa.

O impasse persistiu mesmo depois de o banco apresentar uma proposta final, que os bancários também rejeitaram em assembleia no dia 11. Só a reabertura da negociação muda esse cenário, quatro dias depois do início da paralisação.