O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), questionou nesta segunda-feira (14) a proposta do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), rival na disputa pelo governo, de isentar do IPVA os veículos endividados. A crítica veio numa agenda com prefeitos em Itajubá, no Sul de Minas.

Cleitinho, que lidera as pesquisas para o governo do estado, promete acabar com a apreensão de veículos por falta de pagamento do imposto e reduzir a alíquota de 4% para 3%. Segundo o senador, cerca de 4 milhões de veículos mineiros têm débitos de IPVA.

O que Simões disse sobre a proposta rival

Tem candidato que diz que não vai cobrar IPVA. Se parar de cobrar IPVA, vai comprar remédio como?

A frase de Simões é uma referência direta à proposta de Cleitinho. O governador também criticou adversários sem experiência de gestão.

"Temos candidatos que nunca administraram praticamente nada. Filmar buraco não tapa o buraco", afirmou, numa alfinetada aos vídeos de estradas esburacadas que Cleitinho publica nas redes sociais e que ajudaram a projetá-lo na disputa.

Simões completou dizendo que "não se governa apenas com planilhas ou com gravação de buracos" e que ainda "tem muita coisa para fazer" à frente do governo, cargo que assumiu depois de Romeu Zema sair para concorrer à Presidência.

Por que a proposta de Cleitinho já foi barrada antes

A ideia de acabar com a apreensão de veículos por dívida de imposto já perdeu no Supremo Tribunal Federal em pelo menos três ocasiões anteriores, em leis parecidas de outros estados.

O STF já barrou iniciativas semelhantes no Rio de Janeiro em 2021 e no Rio Grande do Norte e em Alagoas em 2022. Cleitinho argumenta que a proposta dele é diferente, por vir como uma PEC.

O senador reitera que a mudança não significa deixar de cobrar o IPVA, só suspender a apreensão dos carros. Segundo ele, o estado não deixaria de arrecadar o imposto com a medida.

Como está a disputa pelo governo de Minas

Cleitinho tem 32% das intenções de voto no cenário estimulado da pesquisa Quaest (registro TSE MG-04716/2026), encomendada pela Globo Comunicação e Participações.

O instituto ouviu 1.506 pessoas entre 4 e 7 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais e 95% de confiança.

Simões, mesmo como governador em exercício, aparece em quarto lugar, com 8%, atrás também de Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT), ambos com 11%. Kalil já havia atacado a gestão de Simões na estreia da propaganda na TV.

A votação para governador ocorre em 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro caso nenhum candidato alcance maioria dos votos válidos.