Os seis candidatos ao governo de Minas Gerais divergem sobre o uso de câmeras corporais pela Polícia Militar, tema que ganhou força no debate promovido pela Band Minas em 16 de agosto. Enquanto o Estado já aplicou R$ 6,5 milhões em 1.600 unidades do equipamento — parte delas comprada com recursos do Fundo Especial do Ministério Público —, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) defende extinguir seu uso pelos PMs.
Na ocasião, Cleitinho afirmou que os policiais mineiros não deveriam usar câmeras corporais em seu eventual governo e chegou a defender que os fiscais estaduais portassem o equipamento no lugar deles.
A declaração repercutiu nas redes sociais. Dias depois, o senador afirmou que todos os agentes públicos, e não só a PM, deveriam usar o dispositivo.
Alexandre Kalil (PDT) não entrou no mérito da tecnologia. "Antes de discutir se devemos ou não usar câmeras, precisamos de faxineiras, gasolina, armas e treinamento", disse o ex-prefeito de Belo Horizonte, ao defender que outras carências da corporação sejam resolvidas primeiro.
Direção oposta segue o deputado estadual Gabriel Azevedo (MDB), que defende regras rígidas de uso continuado. "A gravação deve ser automática e ininterrupta, com acesso auditável, armazenamento seguro e proteção de dados", afirmou.
Flávio Roscoe (PL), que lidera a lista de bens declarados entre os postulantes ao governo, apoia as câmeras corporais como proteção ao agente, mas sem exigir funcionamento nas 24 horas do turno.
Ele amplia a proposta para o reconhecimento facial. O candidato quer instalar entre 100 mil e 200 mil câmeras com a tecnologia em pontos estratégicos do estado para identificar suspeitos.
O petista Patrus Ananias defende a implementação gradual da tecnologia nas forças de segurança, com protocolos de uso e proteção do conteúdo capturado.
A gestão Simões já tem o equipamento em uso nas ruas. São 1.000 câmeras compradas pelo Estado e mais 600 adquiridas com recursos do Fundo Especial do Ministério Público, R$ 6,5 milhões ao todo.
O debate mineiro ecoa um resultado já medido em outro estado. Levantamento do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou queda de 76,2% na letalidade policial em batalhões paulistas que passaram a usar câmeras corporais, contra 33,3% nos que ficaram sem o equipamento.
Segundo o mesmo levantamento, as mortes de crianças e adolescentes por policiais caíram de 104 para 35 no período analisado.
O estudo compara batalhões com e sem o equipamento. Entre os seis candidatos, as propostas para o governo a partir de 2027 vão da ampliação do uso das câmeras pela Polícia Militar à redução ou extinção do dispositivo na corporação.
A disputa pelo Palácio Tiradentes já teve outros episódios em que segurança pública virou munição de campanha, caso da ocupação de uma fazenda em Uberlândia que virou tema da corrida ao governo.
Simões também defende a duplicação da BR-262 e cobra diálogo com Brasília em outra frente de campanha.
O governador em exercício enfrenta ainda uma decisão do TRE-MG que mandou tirar do ar um vídeo de campanha gravado dentro de um hospital.
O que acontece agora
O tema deve voltar à mesa no debate que a TV Sim Brasil e a TMC promovem nesta quarta-feira (2), às 20h. O compromisso televisivo seguinte é o debate da TV Globo Minas, marcado para 29 de setembro.













































































































