O ato que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou nesta segunda-feira (7) na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu entre 28,5 mil e 34,2 mil pessoas, conforme duas medições independentes. É o menor público da manifestação em três anos, longe da meta de 100 mil que a própria campanha havia estabelecido.
O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, com a ONG More in Common, mediu o público por fotos aéreas processadas pelo software P2PNet, que identifica cabeças em multidões densas. No pico, às 16h32, contou 28,5 mil pessoas, com margem de erro de 12%.
Já o Poder360 usou fotografia aérea de drone cruzada com mapeamento do Google Earth, dividindo a área em zonas de densidade. Chegou a 34,2 mil pessoas, também abaixo do esperado pela campanha.
Por que o público caiu
Pela série histórica da USP/Cebrap, o ato caiu de 60 mil pessoas em 2024 para 48,8 mil em 2025 e 28,5 mil agora. Pela contagem do Poder360, a trajetória foi parecida: de 60 mil para 50 mil e, neste ano, 34,2 mil.
Nas duas metodologias, o público de 2026 ficou bem abaixo da projeção da própria campanha. O Poder360 atribuiu a queda ao clima frio, de 14°C, e à garoa registrada durante a tarde.
A repercussão das mensagens entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes, usada pela oposição como munição contra o STF, não foi suficiente para elevar a mobilização ao patamar de anos anteriores.
O ato, sob o mote "Fora Lula, Fora Moraes" e "É agora ou nunca", ocorre em meio à crise entre Alexandre de Moraes e André Mendonça no STF. Antes de começar, a Polícia Militar usou bombas de gás contra manifestantes de esquerda que se aproximavam.
O que Flávio Bolsonaro disse no palanque
Do palco, Flávio Bolsonaro prometeu: "E eu vou indicar para o Supremo Tribunal Federal homens e mulheres que sejam contra o aborto, que sejam contra as drogas, que sejam contra a ideologia de gênero nas escolas, que respeitem a Constituição."
Disse ainda que vai indicar cinco ministros à Corte porque, segundo ele, Moraes "vai cair" — a quem chamou de "laranja podre".
"Eu estou avisando. Vão tentar uma 3ª facada, não só em mim, mas também nos meus aliados. E o que eu tenho a dizer a vocês que vão tentar mais uma vez interferir nas eleições? Não vai adiantar nada, porque estou aqui de peito aberto e nós juntos somos muito mais fortes do que eles."
A "1ª facada" foi o atentado sofrido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro de 2018. A "2ª" foi a condenação por tentativa de golpe de Estado, em 11 de setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão.
A agenda paralela em Brasília
Enquanto Flávio Bolsonaro discursava na Paulista, o presidente Lula reforçava a soberania nacional no desfile cívico-militar de Brasília. Foi o contraste do 7 de Setembro: o presidente na Esplanada dos Ministérios, o adversário nas ruas de São Paulo.


























