As candidaturas ao Palácio do Planalto em 2026 têm o maior índice de chapas puro-sangue desde a redemocratização, com 12 das 13 candidaturas presidenciais, ou 92,3%, reunindo presidente e vice do mesmo partido. O recorde supera os 86,4% registrados em 1989, primeira eleição direta após a ditadura, quando o país teve 22 candidatos.

A exceção é a chapa de Lula (PT), que tenta a reeleição ao lado do vice Geraldo Alckmin (PSB), repetindo a fórmula de 2022.

Entre os principais adversários de Lula, cada um fechou a chapa só com o próprio partido. Flávio Bolsonaro (PL) tem Alfredo Gaspar de vice, Ronaldo Caiado (PSD) escolheu Gilberto Kassab, e Romeu Zema (Novo) indicou Eduardo Girão.

"Neutralidade, no vocabulário do Centrão, é opção de compra", resume o cientista político Gustavo Ribeiro, sobre os partidos que preferem não fechar com nenhum lado ainda no primeiro turno.

O PT segue um caminho oposto. O partido mantém candidaturas próprias em 11 estados e no Distrito Federal, mas costurou alianças em outras 15 unidades da federação, com PSB, MDB, União Brasil, PSD, PP, PDT e PV.

Para o professor Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), o fenômeno caminha para uma "paroquialização" da política brasileira, com o fortalecimento de currais eleitorais e caciques regionais.

Em vez de uma coalizão organizada de cima para baixo pela candidatura presidencial, os acordos nascem de baixo para cima, a partir dos estados, segundo o professor.

O que a fragmentação muda no 2º turno

Com a maioria das chapas fechada dentro de um único partido, o eleitor vai às urnas sem saber, antes do primeiro turno, que outras siglas vão apoiar cada campanha caso haja segundo turno.

Em 1989, a única eleição com fragmentação parecida, esse apoio só ficou claro depois da primeira votação.