O Nubank começou a operar oficialmente nos Estados Unidos nesta quinta-feira (10), em parceria com o Lead Bank enquanto aguarda a licença bancária definitiva do país. Junto com a estreia americana, a fintech lançou o Nu Global, conta multimoeda que rende até 3,5% ao ano em dólar digital e funciona em mais de 35 países.

Nos Estados Unidos, o banco também oferece a Nu Account, com cashback de 1,5% no cartão de crédito e rendimento de até 4,5% ao ano em metas de poupança de até US$ 10 mil.

A Nu Global converte cada depósito em dólar digital (USDC) ou euro digital (EURC), rendendo 3,50% e 2,20% ao ano. Permite enviar dinheiro sem tarifa a mais de 35 países, com cartão virtual para gastos internacionais e a opção de manter bitcoin e ether.

Segundo o Nubank, o mercado bancário de varejo dos EUA faturou US$ 1,2 trilhão entre 2019 e 2024, com projeção de US$ 1,4 trilhão até 2029. Consumidores americanos pagam cerca de US$ 82 bilhões por ano em tarifas bancárias, mirados pela fintech.

A fintech brasileira chega para disputar espaço com a britânica Revolut, bancos tradicionais como Bradesco, Santander, Itaú e C6, além de rivais latino-americanos como Mercado Pago e PicPay.

O diferencial que a empresa aponta é o custo: afirma gastar cerca de US$ 1 por cliente em operação, contra mais de US$ 20 gastos pelos grandes bancos americanos, mesma lógica que sustentou o crescimento no Brasil, no México e na Colômbia.

Este é o próximo capítulo de algo que começamos há treze anos

disse David Vélez, fundador e CEO do Nubank, durante o evento de lançamento em Miami.

"Nem mesmo o Papa Francisco é imune à burocracia", declarou Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank e presidente da operação nos Estados Unidos, sobre a burocracia bancária americana. Segundo ela, o país ainda emite mais cheques de papel do que qualquer outra nação desenvolvida.

O Nubank soma 139 milhões de clientes no Brasil, no México, na Colômbia e nos Estados Unidos. A empresa lucrou US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) no 2º trimestre e soma 9.500 funcionários. As ações da Nu Holdings subiram 1,30% na Bolsa de Nova York.

A entrada nos Estados Unidos segue a expansão que já deu ao Nubank a licença para operar como banco no México, onde é a maior instituição digital do país, e o 4º lugar em depósitos na Colômbia.

Em julho, a fintech também reestruturou a operação latino-americana e nomeou Livia Chanes CEO regional, movimento anterior ao avanço para o mercado americano. A empresa também nomeou Rob Livingston como novo CFO no ano passado, parte do mesmo plano de crescimento.

Como funciona a conta Nu Global?

A Nu Global funciona como carteira multimoeda: o depósito vira dólar ou euro digital, com rendimento de 3,50% e 2,20% ao ano. Quem mora, viaja ou tem família nos 35 países cobertos pode enviar dinheiro sem tarifa pelo mesmo aplicativo do banco.

O que acontece agora

O Nubank recebeu aprovação preliminar do Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos (OCC) em janeiro deste ano, mas a autorização definitiva para banco pleno ainda não saiu. Até lá, a fintech segue em parceria com o Lead Bank, com depósitos protegidos pelo FDIC.