O piso do Bolsa Família está travado em R$ 600 desde março de 2023, quando o programa foi reestruturado no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. São três anos e meio sem reajuste no valor mínimo pago a cada família.
Segundo o governo, a decisão é deliberada, não um esquecimento. Em nota, a equipe econômica afirma que "a decisão de manter o piso em R$ 600 está alinhada com as políticas de controle de gastos públicos e a intenção de frear a expansão das despesas obrigatórias".
A lei que rege o programa permite a revisão dos valores, mas o governo interpreta que essa permissão não obriga a fazer correção monetária alguma. Por isso, o piso pode continuar parado por tempo indefinido, a critério do Executivo.
O programa também encolheu
Enquanto o valor por família não muda, dois outros números vêm caindo. O orçamento que o governo enviou ao Congresso para 2027 prevê R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família.
É menos que os R$ 158,6 bilhões esperados para 2026, e bem menos que os R$ 167,2 bilhões alocados em 2025. São dois cortes seguidos, ano após ano.
O número de famílias atendidas também caiu. Eram 20,48 milhões de famílias em fevereiro de 2025, com valor médio de R$ 673,62 por família. Em agosto de 2026, o programa atendia 19,3 milhões de famílias, quase 1,2 milhão a menos.
No mesmo período em que o piso não se mexeu, a inflação oficial seguiu avançando. O IPCA fechou 2023 em 4,62%, 2024 em 4,83% e 2025 em 4,26%, segundo dados do IBGE. Neste ano, já acumula 3,44%.
Cada integrante da família entra no cálculo do benefício com R$ 142 por pessoa. Se o total per capita ficar abaixo do piso de R$ 600, a diferença é coberta por um Benefício Complementar, que sobe ou desce conforme a composição familiar.
O Congresso Nacional pode sugerir mudanças na alocação de verba do programa, e a expectativa é de que o tema do reajuste volte a ser debatido durante a tramitação do orçamento em meio à trajetória recente da inflação.
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Quando cai o pagamento de setembro
O pagamento de setembro de 2026 começa em 17/9, para quem tem o Número de Identificação Social (NIS) terminado em 1, e segue até 30/9, para o final 0.
Para ter direito ao benefício, a renda familiar por pessoa precisa ser de até R$ 218 por mês, com cadastro ativo no CadÚnico.
Cidades em situação de emergência ou calamidade pública recebem o pagamento unificado logo no primeiro dia do calendário, independentemente do NIS. O calendário chega dias depois de o pagamento de julho ter mudado algumas regras de acesso ao programa.
O ponto em aberto
O programa completa três anos e meio com o mesmo piso, orçamento em queda e menos famílias atendidas do que em 2025. A lei permite ao Congresso rediscutir o valor a cada tramitação orçamentária, mas até aqui a decisão do Executivo prevaleceu.
Falta uma resposta que as fontes consultadas não trazem: se a queda de 20,48 milhões para 19,3 milhões de famílias reflete melhora de renda ou um pente-fino mais rígido no CadÚnico. O próprio programa não distingue as duas hipóteses em suas divulgações mais recentes.


























