A gestora de investimentos HIX Capital está evitando ações ligadas a varejo e consumo doméstico na B3. A decisão, revelada no programa Stock Pickers, do InfoMoney, reflete a piora do ambiente de crédito e o aumento do endividamento das famílias brasileiras.
O fundador e gestor da HIX, Rodrigo Heilberg, disse ao programa que a casa busca empresas com alta previsibilidade de receita e potencial de multiplicar o capital investido até 2030.
Esquece o lucro de 2027, vamos pensar no lucro de 2028, 2029, e tentar encontrar as companhias em que estou comprando a 5 vezes o lucro de 2030, que vão me fazer multiplicar o dinheiro por 3 até 2030.
Para justificar a cautela com o varejo, Heilberg citou uma conversa recente com executivos da construtora Cury. Um deles teria dito que um terço do time não tem renda disponível para comprar um apartamento, porque está endividado no consignado privado.
O relato ilustra um cenário em que os juros médios bateram 33,8% ao ano, maior patamar da série histórica do Banco Central, encarecendo o crédito até para quem tem emprego formal.
Onde a gestora está apostando
A HIX destina cerca de 10% da carteira a nomes do mercado de capitais, com destaque para BTG Pactual e a XP, que também tem revisado sua própria estratégia.
Segundo Heilberg, a migração de investidores para produtos mais rentáveis sustenta a expansão dos lucros dessas companhias. O cliente sai de aplicações de margem baixa, como uma LCI, para fundos ou operações diretas na bolsa.
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Em vez de apostar na recuperação do consumo das famílias, a gestora busca empresas cujo crescimento não dependa de quanto o brasileiro terá sobrando no fim do mês.
O histórico por trás da aposta
A HIX Capital não é estreante. O fundo HIX Capital FIA existe desde 2012 e, em um período de 5 anos, rendeu 128%, contra 87% do benchmark IPCA+6% e apenas 6,8% do Ibovespa no mesmo intervalo.
A gestora foi fundada por executivos vindos de empresas, não de bancos de investimento. Heilberg credita isso como diferencial para avaliar companhias também pela cultura interna e pelo potencial de crescimento, além dos números financeiros.































