O presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu, em carta aos presidentes das confederações continentais, que pode aumentar o valor distribuído a cada quatro anos às 211 associações da entidade. A resposta veio depois de cobranças de rivais internos na Fifa.

Ele reage a propostas da Uefa e da Concacaf, opositoras ao atual presidente, para que a Fifa use parte de suas reservas, estimadas em US$ 6 bilhões, para elevar o auxílio a US$ 10 milhões por associação entre 2027 e 2030.

No ciclo atual, de 2023 a 2026, o valor é de US$ 8 milhões por associação.

Gianni Infantino em evento oficial da Fifa
Gianni Infantino, presidente da Fifa desde 2016 Foto: Bryan Berlin/Wikimedia Commons via Openverse (CC BY-SA)

"A administração da Fifa já estava examinando como um maior apoio de solidariedade poderia ser fornecido de forma responsável, sujeito à confirmação da posição financeira da Fifa", escreveu Infantino, citando cartas de dirigentes de quatro confederações.

Aleksander Čeferin (Uefa) e Vittorio Montagliani (Concacaf) propõem uma alocação direta específica. Salman bin Ibrahim Al Khalifa (AFC) pede decisão até 15 de outubro, data da reunião do Conselho da Fifa. Lambert Maltock (OFC) destaca os custos estruturais das confederações em desenvolvimento.

"Não irei prejulgar o valor. Apoiarei o maior nível de financiamento adicional que possa ser entregue de forma responsável", disse Infantino, que também cobrou "arranjos transparentes e auditáveis" antes de qualquer decisão.

Por que Uefa e Concacaf pressionam Infantino

A troca de cartas é mais um capítulo da disputa de poder que já dura meses na Fifa. Ela começou quando veio à tona que Infantino apoiava a venda de 20% dos direitos comerciais da entidade a investidores privados, negócio avaliado em US$ 20 bilhões.

O plano foi abandonado diante das críticas, mas consolidou um bloco de oposição liderado por Uefa e Concacaf. Um assessor próximo de Infantino chegou a renunciar em protesto contra o plano.

A pressão não foi suficiente para tirar Infantino do cargo, mas moldou a política de bolso: agora ele lidera oferecendo mais dinheiro, não menos poder.

Nem todo mundo está do lado da oposição: a Conmebol reforçou apoio a Infantino e se distanciou da posição da Uefa.

O que acontece agora

O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, vai consolidar as propostas das confederações para debate no Conselho da entidade, marcado para outubro, com decisão aguardada até o dia 15.