A Fifa acusou nesta terça-feira (29) a Uefa de conduzir uma "campanha de desinformação" para influenciar sua eleição presidencial de 2027. A resposta veio em carta de 26 páginas a um tribunal da Flórida, pedindo a rejeição do pedido de documentos da Uefa.

"A Uefa está agindo com o objetivo de assediar, e não por qualquer necessidade legítima de produção de provas", acusa a Fifa, que também afirma que a entidade europeia age "de má-fé".

A disputa jurídica começou no fim de agosto, quando a Uefa, sob liderança do presidente Aleksander Ceferin, abriu caminho para uma ação por "gestão desleal" contra Gianni Infantino, presidente da Fifa.

A infração alegada pela Uefa pode resultar em até cinco anos de prisão na Justiça suíça, mas exige provar que Infantino prejudicou deliberadamente os interesses da entidade. Nenhuma acusação formal foi apresentada até agora.

Para reunir provas, a Uefa recorreu à Justiça da Flórida, pedindo que subsidiárias americanas da Fifa entreguem documentos sobre o plano de Infantino de transferir receitas da Copa do Mundo a uma empresa aberta a investidores privados, engavetado em agosto após forte oposição.

O que cada lado alega

Segundo a Fifa, "o processo da Uefa contém diversas alegações falsas ou enganosas", incluindo a sugestão de que Infantino teria buscado vantagem pessoal com o plano. A entidade diz que apenas avaliou uma proposta, como seria seu dever fazer.

Já a Uefa argumenta, em pedido de 60 páginas, que a documentação vai embasar um processo a ser apresentado à Justiça suíça contra Infantino e possivelmente outros dirigentes da Fifa.

Nem todas as confederações apoiam a ofensiva europeia. Em agosto, a Conmebol saiu em defesa de Infantino e se afastou publicamente da posição da Uefa. Ele é hoje o único candidato à própria sucessão, mas sua liderança é questionada pelas federações europeias.

O que acontece agora

Na segunda-feira (28), Infantino já havia sinalizado abertura para elevar o repasse da Fifa às federações, em carta aos presidentes das seis confederações, sem se comprometer com valores.

Agora cabe à Justiça da Flórida decidir se aceita ou rejeita o pedido de acesso aos documentos apresentado pela Uefa.