A proibição das bets, que passou a valer nesta semana, tira do futebol brasileiro uma fonte de receita que somou R$ 1,14 bilhão em 2025, segundo levantamento da CNN Brasil. O Flamengo, clube mais dependente do setor, prevê perda imediata de até R$ 430 milhões.
O faturamento dos clubes brasileiros passou de R$ 15 bilhões em 2025, e os patrocínios de bets representaram, em média, 8% dessa receita.
Para o Flamengo, a fatia é bem maior. A Betano pagava R$ 268,5 milhões por temporada ao clube, cerca de 12,85% do orçamento, o maior índice entre os grandes times.
Corinthians e São Paulo, os outros clubes mais expostos ao setor, tinham cerca de 10,5% do orçamento vindo de contratos com casas de apostas. Para a maioria dos times, o percentual fica entre 5% e 8%.
Segundo o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, não existe alternativa para repor essa receita no orçamento. Bap projeta que o futebol brasileiro pode perder R$ 2,5 bilhões em receita no ano que vem, caso a medida provisória seja aprovada pelo Congresso.
O governo Lula justifica a proibição pelo risco de lavagem de dinheiro e pelo combate ao vício em apostas. A Medida Provisória, anunciada em 25 de setembro, deu prazo até 5 de outubro para saque dos valores já depositados.
A proibição chega menos de três anos depois de o setor ter sido regulamentado, em 2024. Antes disso, a autorização das bets vinha desde o governo Temer, sem que as regras de proteção a menores e combate à lavagem fossem implementadas nos governos seguintes.
Os clubes já haviam se unido para tentar impedir a restrição às bets, antes de a medida ser assinada.
Não são só os clubes afetados. A proibição também tira R$ 5,3 bilhões do Orçamento público em arrecadação do setor, e a medida deve ser questionada na Justiça.
Advogados já apontam insegurança jurídica na forma como a proibição foi feita.
O que acontece agora
A Medida Provisória precisa ser votada pelo Congresso em até 120 dias para não perder validade. Até lá, clubes negociam novos patrocinadores para tentar reduzir o rombo nos orçamentos de 2027.
O ponto em aberto
Nenhum clube apresentou um plano público para substituir o R$ 1,14 bilhão que as bets injetavam no futebol em 2025. A pergunta é se o mercado oferece patrocinador de porte parecido, ou se o orçamento dos times encolhe a partir de 2027.





























