Antes de adotar um discurso mais moderado na campanha presidencial de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou, em 2017, uma biografia do pai, Jair Bolsonaro, em que nega a existência de um golpe militar em 1964 e questiona a segurança das urnas eletrônicas.

O livro, com quase 200 páginas, também traz elogios ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e apoio a posições como a redução da maioridade penal e a castração química de estupradores.

Em agosto, um ex-comandante da Força Aérea Brasileira rebateu publicamente declarações de Flávio sobre as Forças Armadas.

Parte dessas ideias virou proposta de campanha. A 'Escola sem Partido', por exemplo, foi adaptada no programa de Flávio para uma educação 'livre de doutrinação político-partidária'.

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Que golpe foi esse em que o Congresso, com respaldo constitucional, afasta um presidente? Só houve golpe nos livros de 'estória' do MEC.

A citação é do livro de Flávio Bolsonaro, publicado em 2017, sobre o pai.

A Comissão Nacional da Verdade, que investigou o período, concluiu em relatório de 2014 que houve 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar (1964-1985), resultado de uma política de Estado caracterizada como crime contra a humanidade.

A disputa sobre como nomear o período já apareceu em outros episódios recentes. Em agosto, a Câmara vetou o termo 'ditadura militar' em um livro sobre a Independência distribuído a escolas.

O que o livro diz sobre Ustra e as urnas

Sobre o coronel Ustra, reconhecido como torturador da ditadura, Flávio escreve que ele era 'um homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria'.

No mesmo livro, ele questiona as urnas eletrônicas e defende o voto impresso. 'Se não há como provar que houve a fraude, como provar que ela não aconteceu?', escreve.

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O TSE já havia esclarecido, em 2020, que a Smartmatic nunca forneceu as urnas eletrônicas do Brasil.

A distância entre o livro e a campanha de 2026

Em julho deste ano, a campanha de Flávio negou que ele questionasse o sistema eleitoral, depois de uma fala sobre a empresa Smartmatic repercutir. A nota oficial afirmou 'confiança plena' nas urnas e defendeu observadores internacionais nas eleições.

A disputa está acirrada. Em setembro, uma pesquisa BTG/Nexus mostrou Flávio à frente de Lula pela primeira vez no cenário presidencial.

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Em ato de campanha no Rio de Janeiro nesta sexta, Lula (PT) associou Flávio aos escândalos do Banco Master e do INSS. 'A gente não pode permitir que essa quadrilha da família Bolsonaro volte a governar do país', declarou o presidente.

A disputa chega ao primeiro turno neste domingo (4/10). Para vencer sem um segundo turno, um candidato precisa de mais da metade dos votos válidos, feito alcançado só uma vez desde 1989, por Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998.

O ponto em aberto

O livro de 2017 e a nota da campanha em 2026 registram posições diferentes sobre as urnas eletrônicas. A pergunta que fica é quanto desse tipo de registro público chega ao eleitor antes de votar, neste domingo.