O ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou nesta segunda-feira (5) apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra Lula (PT). Em vídeo publicado nas redes sociais, disse que o resultado do primeiro turno mostrou que o país "quer reconexão", segundo o Valor.

"A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente. Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio", disse Temer, segundo o Valor.

Michel Temer ao lado de outras autoridades em cerimônia oficial
Michel Temer (centro) em cerimônia oficial, foto de arquivo de 2018. Foto: Marcos Brandão/Senado Federal/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O aceno de Temer não é um caso isolado. Segundo análise do jornalista Pedro Venceslau, da CNN Brasil, partidos do centrão como União Brasil, Progressistas e Republicanos começam a enxergar em Flávio uma "perspectiva de poder" capaz de mudar o 2º turno.

É uma guinada em relação ao que vinha acontecendo desde agosto, quando o centrão se afastava de Flávio e se aproximava de Lula. O resultado do primeiro turno, com Flávio à frente, parece ter revertido esse movimento.

Flávio terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo o Metrópoles.

O PL também elegeu a maior bancada da história da Câmara, com 121 deputados, e chega a 28 senadores, também recorde para um partido no início de legislatura.

Venceslau pondera que o ganho prático de somar apoios agora é menor do que seria no 1º turno. O tempo de TV se divide meio a meio entre os candidatos, e não há mais eleição para o Congresso para turbinar a propaganda.

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A associação pública com o centrão também carrega risco de imagem, em meio à desconfiança sobre emendas parlamentares.

O governo Lula, por sua vez, tenta manter neutro o PSD, hoje ligado ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. O afastamento do centrão em agosto havia sido lido como vitória de Lula; o movimento de agora é o oposto.

O MDB de Temer, porém, segue sem posição oficial. No primeiro turno, o partido liberou diretórios estaduais para formar alianças conforme as disputas locais, e não indicou até agora se vai declarar apoio institucional a Flávio no 2º turno.

Temer foi próximo do governo de Jair Bolsonaro, atuando como conselheiro informal. Foi acionado por ele para conter a crise de setembro de 2021.

Na ocasião, intermediou um "manifesto de pacificação" depois de Bolsonaro chamar o ministro Alexandre de Moraes de "canalha" em discurso na Avenida Paulista.

Outros nomes também já sinalizaram apoio a Flávio, caso do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, e do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que foi a Brasília articular o mesmo grupo de partidos citado pela análise da CNN.

O ponto em aberto

Com o tempo de TV dividido igualmente no 2º turno, a pergunta que fica é se esses apoios de nomes isolados do centrão, sem posição oficial dos partidos, pesam tanto quanto pesariam no primeiro turno.

Ou se, sem o horário eleitoral turbinado, o efeito é mais simbólico do que eleitoral.