O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira (16) impor tarifas muito pesadas ou interromper o comércio com a União Europeia (UE). A ameaça vale caso o bloco avance com o plano de tornar o Canadá seu primeiro país membro associado.
A proposta foi apresentada horas antes pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Se fizerem isso, se eu considerar que é de alguma forma um ato hostil, vou impor tarifas muito pesadas ou interromper o comércio com a Europa em vários setores.
Trump classificou a proposta de "risível" a repórteres, a caminho de um evento na Carolina do Norte. Em nota, a Comissão Europeia afirmou que a ideia, ainda sem detalhamento nem aprovação dos países-membros, não constitui um ato hostil.
Von der Leyen apresentou o plano durante seu discurso anual sobre o Estado da União, em Estrasburgo. Ao seu lado estava o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, o primeiro chefe de governo estrangeiro a acompanhar o discurso.
"Gostaria de trabalhar com você para abrir a porta para que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia", disse ela a Carney, recebida com aplausos dos eurodeputados.
O convite ocorre em meio à guerra comercial entre Canadá e Estados Unidos, seu maior parceiro comercial. A disputa já resultou em tarifas de até 50% sobre produtos canadenses.
O Brasil recebeu a mesma tarifa de 50% dos EUA, mas os dois países reagiram de formas diferentes.
O que isso tem a ver com o Brasil?
O Brasil está no centro dessa disputa comercial. O país fechou, em 2026, o próprio acordo de livre comércio com a União Europeia, o mesmo bloco que agora negocia se aproximar comercialmente do Canadá.
Nesse contexto, uma missão de empresas italianas ao Brasil foi anunciada de olho no acordo. O movimento é sinal do interesse despertado pela abertura comercial em vigor desde 1º de maio de 2026.
A União Europeia tratou o acordo com o Mercosul como parte da mesma estratégia que agora justifica a aproximação com o Canadá. A ideia é diversificar parcerias comerciais diante das tensões crescentes com os Estados Unidos.
Mesmo com o acordo assinado, Lula discutiu com líderes da UE restrições que ainda pesam sobre produtos brasileiros. As restrições seguem em vigor apesar da abertura comercial em curso.
O tema também aparece no canal de diálogo sobre a carne bovina aberto entre Brasil e UE. O veto a parte dos frigoríficos brasileiros permanece mesmo com o diálogo em curso.
O que acontece agora
Carney discursa nesta quinta-feira (17) para os eurodeputados em Estrasburgo, um dia após o convite de von der Leyen. O status de "membro associado" ainda não existe nos tratados da UE e precisa ser detalhado e aprovado pelos países-membros do bloco.
Enquanto isso, o acordo comercial entre Mercosul e UE segue em vigor de forma independente do desfecho com o Canadá. Já o Acordo Geral, a parte política do texto, depende da ratificação de cada país-membro europeu, processo que pode levar até dois anos.


























