Um tribunal federal de apelações dos Estados Unidos, em Washington, decidiu nesta sexta-feira (25) que o governo Trump agiu de forma legal ao classificar a Anthropic como risco à segurança nacional, mantendo a empresa fora de contratos com o Pentágono.
A decisão foi tomada por 2 votos a 1. Ela mantém a Anthropic fora de um contrato militar de US$ 200 milhões (R$ 1,03 bilhão), que previa fornecer tecnologia de IA a sistemas classificados do governo americano.
A disputa começou quando a Anthropic tentou restringir contratualmente o uso do Claude, seu chatbot, em três frentes.
- Vigilância em massa de cidadãos americanos
- Uso de inteligência artificial em armas letais autônomas
- Aplicações militares que conflitassem com as restrições da empresa
O Pentágono rejeitou as condições, argumentando que uma empresa privada não pode ditar políticas para o governo dos EUA. Sem acordo, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a Anthropic como "risco à cadeia de suprimentos", a mesma classificação usada antes contra empresas estrangeiras.
Por que a Justiça manteve a decisão?
Segundo a juíza Karen LeCraft Henderson, a Anthropic se recusou a flexibilizar cláusulas que proíbem o uso do Claude em guerra autônoma letal ou vigilância doméstica. Para ela, o Departamento de Defesa tinha fundamentos para ver risco na integração do Claude aos sistemas do governo.
A disputa não terminou de vez. Uma decisão de agosto, de um juiz de San Francisco, que suspendeu a proibição por outros motivos legais, continua valendo por enquanto.
O que dizem os dois lados
"Discordamos respeitosamente da decisão. Outro tribunal federal já concluiu que uma designação paralela do governo era ilegal. Continuamos confiantes em nossa posição e estamos avaliando todas as opções, incluindo novos recursos", disse a Anthropic, em nota.
Emil Michael, subsecretário de Pesquisa e Engenharia do Departamento de Defesa, comemorou nas redes sociais: "O martelo da justiça esmagou os argumentos da Anthropic".
O caso se soma a outras medidas do governo Trump para restringir o alcance internacional da Anthropic, que já bloqueia usos perigosos do próprio Claude, como tentativas de criar armas biológicas.
A empresa também já havia alertado o governo americano sobre riscos cibernéticos de IA.
O episódio reforça o debate sobre a inteligência artificial como nova arma de Estado dos EUA.





























