Os CEOs da OpenAI, Sam Altman, e da Anthropic, Dario Amodei, defenderam nesta quarta-feira (23) mais cooperação internacional para lidar com os riscos da inteligência artificial, na primeira sessão do Conselho de Segurança da ONU dedicada ao tema, em Nova York.
O apelo conjunto chama atenção porque as duas empresas são concorrentes diretas na corrida por modelos de IA mais avançados. O encontro foi a primeira sessão do Conselho de Segurança dedicada ao tema.
Houve momentos em que países que competem entre si e nem sempre se gostam conseguiram se unir em torno de interesses compartilhados e do bem coletivo diante de uma poderosa nova tecnologia. Acreditamos que este deve ser um desses momentos.
A frase é de Altman, segundo o InfoMoney. Amodei e o executivo da Hugging Face, Clément Delangue, também participaram da sessão.

O encontro ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar a ideia de um controle internacional sobre a tecnologia, em discurso na Assembleia Geral da ONU. Trump chamou a proposta de "esquema globalista".
O presidente americano disse que os EUA vão continuar incentivando o desenvolvimento da IA sem freá-lo. Segundo o Olhar Digital, o secretário-geral da ONU, António Guterres, também discursou na sessão e pediu coordenação internacional para regular os chamados modelos de IA de fronteira.
O que Amodei propõe
Amodei defende desacelerar o ritmo de desenvolvimento dos modelos de fronteira em três frentes: acesso de avaliadores independentes aos sistemas das empresas, mais coordenação entre as companhias que desenvolvem essa tecnologia e cooperação internacional para reduzir riscos.
O CEO já havia defendido essa desaceleração em texto publicado no início de setembro. A Anthropic afirma que sua IA identificou um sistema genético inédito semelhante ao CRISPR, e a companhia soma-se à disputa da OpenAI por modelos cada vez mais avançados.
Onde o Brasil está nessa discussão?
O Brasil ainda debate as próprias regras. O Marco Legal da IA, PL 2338/2023, foi aprovado pelo Senado em 10 de dezembro de 2024 e enviado à Câmara dos Deputados em março de 2025.
O texto prevê sanções de até R$ 50 milhões por infração e cria um sistema nacional de governança coordenado pela ANPD. Ele também classifica sistemas de IA por nível de risco, a exemplo do modelo europeu.
Enquanto OpenAI e Anthropic pedem regras globais na ONU, o Brasil segue sem um marco legal próprio em vigor.
O Conselho de Comunicação Social do Senado colocou o Marco Legal da IA como prioridade para 2026, ano em que o Cade também analisou a parceria da Anthropic com a Amazon no Brasil.
O que acontece agora
O Executivo brasileiro enviou em dezembro de 2025 um projeto complementar para corrigir um vício de iniciativa identificado no texto do Senado. O problema é que atribuir poder normativo à ANPD por lei de origem parlamentar poderia ser questionado no STF.
A votação final do Marco Legal da IA na Câmara ainda não tem data marcada.



































