A Novo Nordisk prometeu lançar mais de cinco medicamentos com vendas bilionárias até 2030, em plano apresentado a investidores nesta segunda-feira (21), em Londres. A farmacêutica tenta proteger o crescimento enquanto a semaglutida perde exclusividade em mercados como o Brasil.
Segundo o UOL, o presidente da empresa, Mike Doustdar, disse que a companhia quer manter o portfólio de diabetes e obesidade. O plano também inclui distúrbios do sangue e endócrinos, doenças do fígado e doenças cardiovasculares.
A meta é ter ao menos cinco novos medicamentos de obesidade e diabetes em fase avançada até 2030, além de número semelhante em outras áreas. O plano mira 150 bilhões de coroas dinamarquesas em vendas em 2035, o equivalente a US$ 23,05 bilhões.
O Valor informou que a administração detalhou um calendário para a próxima geração de injetáveis contra obesidade. A combinação CagriSema deve ser lançada no início do próximo ano; cagrilintida isolada e CagriSema em dose elevada ficaram para 2028, antes da zenagamtida.
"Competiremos ferozmente", disse Doustdar, ao tratar dos volumes de semaglutida em mercados com e sem proteção de patente.
Por que a perda de patente importa para o Brasil?
A perda de patente importa para o Brasil porque a semaglutida já começou a perder exclusividade no país, no Canadá, na Índia e na Turquia neste ano. Isso abre espaço para versões genéricas mais baratas e pressiona a dona do Ozempic a defender mercado.
A pressão já aparece no acervo recente da TV Sim Brasil. A queda de preço das canetas genéricas virou pauta neste mês, depois de aprovações de concorrentes pela Anvisa.
Esse descompasso explica por que a farmacêutica fala ao mesmo tempo em inovação e volume. Nos mercados protegidos, preserva preço por mais tempo; nos mercados abertos, disputa escala contra fabricantes que chegam com versões alternativas.
O que muda na estratégia da empresa?
A estratégia muda porque a Novo Nordisk quer depender menos de uma molécula só. Segundo o Valor, a empresa pretende chegar a mais de 60 milhões de pacientes no mundo até 2030 e multiplicar por dez a capacidade de produção.
O braço oral também virou peça central. A companhia disse que o Wegovy em comprimidos alcançou 7 milhões de prescrições nos Estados Unidos, com 90% das vendas por canais de pagamento direto pelos pacientes.
O desafio é que a rival Eli Lilly ganhou terreno no mercado aquecido de medicamentos contra obesidade. De acordo com o UOL, a Novo perdeu liderança nas canetas emagrecedoras para a concorrente americana, embora veja boa aceitação inicial nos comprimidos para perda de peso.
O mercado reagiu com cobrança. O Valor registrou que as ações chegaram a cair 9% durante o evento, diante de dúvidas de analistas sobre preço, aquisições e acordos em meio ao vencimento das patentes.
O que acontece agora
A Novo Nordisk deve executar o cronograma de lançamentos já em 2027, começando pelo CagriSema, enquanto amplia estudos clínicos de comprimidos ainda neste ano. No Brasil, o avanço de genéricos tende a manter a disputa de preço no centro da conversa.
Esse movimento conversa com outras frentes já acompanhadas pelo portal. Entre elas estão a aprovação de novas canetas de semaglutida e a promessa de oferta no SUS, que teve avaliação negativa anterior da Conitec.





























