As atrizes Susan Sarandon e Hannah Einbinder foram presas nesta quinta-feira (24) em Nova York, durante protesto contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em frente à sede da ONU, enquanto ele discursava na Assembleia Geral e delegados deixavam o plenário em protesto.

As atrizes integravam ato do grupo Jewish Voices for Peace e foram detidas por reivindicar direitos do povo palestino. No Emmy de 2025, Einbinder já havia dito "Palestina Livre" ao receber o prêmio de melhor atriz coadjuvante.

Sarandon afirma que o custo foi profissional. No Festival de Veneza, ela disse ter perdido papéis em Hollywood por apoiar a causa palestina.

Dentro do plenário da ONU, Netanyahu discursava sob protesto. Dezenas de delegados deixaram o salão quando ele começou a falar.

Ele reagiu chamando os que saíram de covardes morais, e disse que Israel não cometeu genocídio, mas o impediu.

O prefeito socialista de Nova York criticou o discurso horas depois. Disse que Netanyahu repetiu mentiras para encobrir o que chamou de genocídio contra os palestinos.

O prefeito também lembrou que Netanyahu tem mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional desde 2024, por crimes de guerra e contra a humanidade.

Antes dele, o próprio Lula já havia usado a palavra "genocídio" para falar de Gaza, dois dias antes, na mesma tribuna.

O padrão por trás do protesto

O caso de Sarandon não é isolado. Em setembro de 2025, mais de 1.800 atores, artistas e produtores assinaram compromisso de não trabalhar com instituições cinematográficas israelenses acusadas de cumplicidade com violações a palestinos, entre eles Emma Stone, Mark Ruffalo, Tilda Swinton e Brad Pitt.

Israel rejeitou os pedidos de boicote como discriminatórios. O governo israelense classifica as ações em Gaza como autodefesa após o ataque do Hamas em outubro de 2023, que matou 1.200 pessoas e fez mais de 250 reféns, segundo registros israelenses.

Um lado vê o boicote cultural como parte legítima da pressão internacional. O outro vê discriminação disfarçada de ativismo.

A fricção entre Israel e a ONU apareceu de outra forma nesta semana. Um vídeo oficial israelense contra a ONU usou uma arara para representar o Brasil.

O preço de tomar posição

Dos dois lados do protesto desta quinta, alguém paga um preço por falar sobre o conflito. Sarandon diz ter perdido papéis; Netanyahu segue sob mandado de prisão internacional e viu delegados abandonarem o plenário enquanto discursava.

A pergunta que fica é até quando um conflito consegue tornar tão caro, para tanta gente, dizer o que pensa sobre ele.