O humorista Antonio Tabet voltou a publicar nas redes sociais, na noite de quarta-feira (30), o texto que associa a família Bolsonaro a um suposto ataque a Nossa Senhora Aparecida. A postagem chega horas depois de o STF liberar parte do conteúdo.

A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!

"É a terceira vez que este post vai para o ar", escreveu Tabet ao republicar a frase. Segundo ele, a primeira vez foi censurada com mais de 2 mil retweets, e a segunda, com quase 30 mil.

"Agora, se Deus e a democracia quiserem, ela nunca mais sai daí", completou o humorista.

A publicação havia sido retirada por uma liminar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), assinada na sexta-feira (25). Dias depois, o ministro Flávio Dino determinou o restabelecimento do conteúdo.

Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino na segunda-feira (28). Com isso, repôs a ordem de remoção assinada por Mendonça até a análise do plenário do STF.

Como mostrou a CNN, o julgamento no plenário virtual durou 14 horas nesta quarta. Por volta das 20h30, Mendonça reconsiderou parte do próprio voto e autorizou a volta da postagem específica de Tabet.

"O ajuste limita-se à publicação específica de Antonio Tabet. Diante da razoabilidade da compreensão de ambiguidade de seu conteúdo", escreveu o ministro.

Mendonça completou: "entendo que a solução mais consentânea com os critérios de intervenção mínima e de proteção reforçada da liberdade de expressão consiste em preservar a postagem."

A liberação vale só para o texto que não cita o nome do candidato. Publicações que associam Flávio diretamente à suposta tentativa de tirar o título de Nossa Senhora continuam proibidas, segundo a decisão do relator.

No mesmo dia, em processo separado, o plenário virtual do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria sobre o caso. A decisão manteve fora do ar as publicações que associam Flávio Bolsonaro ao boato sobre a perda do título de padroeira por Nossa Senhora Aparecida.

O resultado foi de 3 votos a 2 pela manutenção da remoção. Os dois votos vencidos defendiam restringir a medida a conteúdos "notoriamente inverídicos", via mais estreita de censura.

O episódio já tinha virado munição de campanha. Lula (PT) citou o caso contra Flávio no horário eleitoral, depois que o boato colocou os dois presidenciáveis em rota de colisão.

A origem da polêmica está em uma informação falsa que vinculou o nome de Flávio a um suposto movimento para tirar o título de padroeira da santa. O boato circulou no fim de setembro e ganhou força nas redes.

A repercussão já havia pressionado o presidente do STF, Edson Fachin, por uma solução mais rápida para o caso. O volume de liminares indo e voltando entre ministros foi um dos fatores apontados para a pressão.

O julgamento do TSE tinha prazo para se encerrar às 23h59 de quarta-feira. A disputa sobre o alcance exato da proibição no STF, porém, segue aberta a novos recursos.

O caso chega à reta final da campanha a quatro dias do primeiro turno, marcado para domingo (4).