O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta-feira (24) que pretenda retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil. A informação, que viralizou nas redes, tem origem num projeto arquivado pela Câmara em 2008.

A desinformação faz referência ao projeto de lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a lei do feriado de 12 de outubro para substituir "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos".

O texto foi arquivado pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008 e não tem qualquer relação com o candidato.

A origem da fake news

A origem da fake news está no programa "Em Pauta", da GloboNews, quando a jornalista Maria Cristina Fernandes citou um suposto grupo evangélico articulado com Flávio para retirar a santa da condição de padroeira. A emissora corrigiu a informação horas depois, no telejornal da meia-noite.

Em vídeo publicado no X nesta quinta-feira (24), Flávio Bolsonaro negou a história.

Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto.

No vídeo, ele afirmou respeitar "todas as religiões e também quem não tem religião". Na legenda do post, escreveu "Diferente do Lula, que quer se meter até nas regras da Igreja Católica".

Ele também disse estar "na correria de agenda em Minas Gerais" quando foi surpreendido pela fake news, durante viagem ao estado em que tenta salvar a candidatura de Flávio Roscoe ao governo mineiro.

Candidatos de esquerda repercutiram o boato. A candidata a deputada federal Anielle Franco (PT-RJ), ex-ministra da Igualdade Racial, publicou que "Nossa Senhora Aparecida, a nossa Padroeira Negra, é símbolo de fé, resistência e da própria identidade do povo brasileiro".

Anielle Franco defendeu que "a fé não é moeda de troca eleitoral". A disputa pelo voto religioso é tema recorrente na corrida a 2026. Um levantamento recente mostrou que a maioria dos evangélicos se declara de direita, mas rejeita a política dentro do culto.

É nesse cenário que a fé virou terreno de disputa entre os presidenciáveis, e histórias falsas com religião e candidato ganham tração rápida nas redes.

O que acontece agora

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro avalia acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a disseminação da fake news e tenta identificar quem começou a espalhar a mentira nas redes sociais, segundo apurou a CNN Brasil.

O caso ocorre em plena campanha presidencial. Desde agosto, o TSE mantém uma página para verificar boatos eleitorais em circulação na disputa de 2026.