O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) classificou nesta sexta-feira (25) como "hipócrita, eleitoreira e populista" a medida provisória que o presidente Lula (PT) prepara para proibir as bets no Brasil. A MP deve ser anunciada às 18h desta sexta.

A fala aconteceu após a formatura do curso de formação de praças da Polícia Militar do Rio de Janeiro, no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), na zona oeste da cidade. Também participaram do evento outros candidatos do PL no estado.

"É, mais uma vez, uma atitude populista, hipócrita, eleitoreira e ninguém garante que depois da eleição, ele não liberará tudo de novo, porque ele está jogando tudo nas eleições", declarou Flávio a jornalistas.

Lula tem dois filhos que fizeram muito mal ao Brasil: o Lulinha e o Tigrinho.

Flávio afirmou ainda que, se eleito, pretende proibir os cassinos online, incluindo o chamado "jogo do tigrinho", mas manter em funcionamento as apostas esportivas de quota fixa. "Tem que fazer essa distinção muito clara [...] Sou contra, mas é o que sempre tem vigor", disse.

O que a MP de Lula prevê

A minuta em elaboração pelo governo prevê pena de até seis anos de prisão para quem operar ou explorar plataformas de apostas online no país. Publicidade e marketing das bets também seriam criminalizados, com pena de dois a quatro anos de prisão e multa.

O texto também prevê punição para intermediação de pagamentos e fornecimento de aplicativos.

A proibição preocupa o futebol brasileiro. Treze dos 20 times da Série A do Brasileirão têm contrato de patrocínio com casas de apostas, e a própria competição é patrocinada pela empresa grega Betano.

Um estudo do governo projeta R$ 1,4 bilhão em patrocínios de bets aos clubes, equivalente a 20% da folha de pagamento dos maiores times do país. Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Flamengo assinaram manifesto alertando que a perda desses contratos pode levar clubes à insolvência.

Lula sinalizou a assinatura da MP após discurso em Recife nesta semana, quando anunciou a intenção de assinar a medida ainda nesta sexta-feira.

O tema já havia provocado embate entre governo e clubes em setembro, quando entidades do futebol brasileiro divulgaram manifesto contra o fim das bets.

A lei que legalizou as apostas esportivas de quota fixa foi sancionada ainda no governo de Michel Temer (MDB). A regulamentação do setor, porém, coube a Lula.

O embate entre os dois já tinha ficado explícito dias antes, quando Lula prometeu acabar com as bets em meio ao racha com os clubes de futebol.

O que acontece agora

O anúncio oficial está previsto para 18h desta sexta-feira (25). Segundo o esboço da proposta, não há transição para empresas já autorizadas a operar no país. Também não há transição para clubes e veículos com patrocínio vigente de bets.