Uma taxa de abstenção mais alta que o normal pode definir a eleição presidencial de 2026 já no primeiro turno, avaliam analistas ouvidos pela CNN. Quanto maior a abstenção, menor é o número de votos necessário para vencer com maioria absoluta.

"A abstenção é importante num cenário de baixa credibilidade das instituições, baixa credibilidade dos partidos, dos próprios candidatos", afirmou Thiago Vidal, diretor de análise política da Prospectiva, à CNN.

Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um. Brancos e nulos ficam fora dessa conta, e uma abstenção mais alta reduz a base sobre a qual esse percentual é calculado.

Qual é o histórico da abstenção no Brasil?

A abstenção no primeiro turno das eleições gerais vem subindo desde 2006: passou de 16,75% naquele ano para 18,1% em 2010, 19,4% em 2014, 20,3% em 2018 e 20,95% em 2022, a maior taxa em 24 anos.

O cenário favorece, segundo Vidal, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que vem em trajetória de crescimento nas pesquisas que o presidente Lula (PT) não tem acompanhado. Até seis meses atrás, Flávio era visto como azarão da disputa.

"O senador Flávio vem conseguindo uma crescente que o presidente Lula não tem conseguido", disse Vidal. Ele passou à frente do presidente pela primeira vez em pesquisa Quaest divulgada em 14 de setembro.

A analista de política da CNN Jussara Soares afirma que houve avaliação interna do PT de que a campanha priorizou o tema da soberania e se afastou da rotina do eleitor.

"Flávio Bolsonaro fez uma campanha mais voltada para falar dos assuntos do bolso do eleitor", disse Jussara.

A desconfiança nas instituições, hoje batendo recorde no STF, tende a beneficiar candidatos com discurso econômico, segundo a analista, que cita a crise em torno do Supremo como fator de desalento entre eleitores.

Como fica a corrida presidencial hoje?

A pesquisa Quaest mais recente, contratada pela Genial Investimentos, mostra Lula com 37% e Flávio com 30% no cenário estimulado. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de 2 pontos e registro BR-07065/2026 no TSE.

Outro instituto, o Datafolha, mediu recentemente a mesma disputa e chegou a números parecidos, com folga menor entre os dois nomes.

O que acontece agora

O primeiro turno é em 4 de outubro. Quem faltar às urnas e não justificar a ausência até 3 de dezembro pode ser multado pela Justiça Eleitoral.

Um segundo turno, em 25 de outubro, só ocorre se nenhum candidato somar maioria dos votos válidos já na primeira votação.