Um imóvel ligado ao ex-vereador Milton Leite foi furtado em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, na noite deste domingo (20). Segundo a polícia, o local estava revirado, e um equipamento com imagens de câmeras de segurança teria sido levado.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, policiais militares registraram furto em residência no 11º Distrito Policial. Os agentes encontraram documentos que identificavam o proprietário como o ex-vereador, mas a Polícia Militar não confirmou oficialmente a quem pertence o imóvel.

O caso ocorre três dias depois de Leite ser alvo da operação que mirou o ex-presidente da Câmara por suspeitas ligadas ao transporte público de São Paulo. Ele se entregou na sexta-feira (18) e segue preso temporariamente em Mogi das Cruzes.

Segundo o Metrópoles, uma moradora percebeu movimentação no portão do imóvel, na Rua General Bráulio Guimarães, altura do número 307, e acionou a PM. Quando os policiais chegaram, não encontraram os criminosos.

No imóvel, os agentes localizaram celular, chip, documentos diversos e cerca de R$ 19 mil em dinheiro, segundo a reportagem. O ponto central da investigação é o desaparecimento do DVR das câmeras, equipamento que armazena as imagens do circuito interno.

O que a polícia apura

O que a polícia apura agora é quem entrou no imóvel, o que foi levado e se o material retirado tinha relação com a investigação. Segundo o g1, a perícia foi requisitada, o local foi preservado e a autoridade policial busca imagens e outras informações.

A defesa apresentou uma leitura diferente sobre o vínculo do endereço. O advogado de Milton Leite disse ao Metrópoles que o imóvel seria ligado a um construtor que tem relação com o ex-vereador, e não descreveu o local como escritório político dele.

A divergência sobre a titularidade do imóvel importa porque documentos e imagens podem definir se o furto é um caso patrimonial isolado ou um capítulo lateral da Operação Vectura Corrupta.

Leite é investigado pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por suspeitas relacionadas à atuação do PCC no setor de transporte público da capital. Ele nega envolvimento com as acusações, segundo o UOL.

A TV Sim Brasil já mostrou que Leite foi preso sob suspeita de gerir ônibus do PCC. A operação também levou à prisão de outros alvos, como o presidente do Água Santa, em desdobramento sobre empresas de ônibus.

O que acontece agora

O que acontece agora depende da perícia e das diligências do 11º DP, que deve tentar recuperar imagens externas ou identificar a rota dos invasores. A apuração também precisa esclarecer se o DVR foi o alvo principal ou apenas um dos itens levados.

A situação jurídica de Leite corre em paralelo. Segundo o g1, ele não passou pela audiência de custódia no sábado (19) porque teve mal-estar pouco antes do procedimento.

"Estava na fila da custódia, mas passou mal e foi socorrido antes da audiência", disse uma fonte da investigação ao g1. A defesa afirmou ao Metrópoles que o episódio foi causado por um pico de pressão.