O empresário John Textor ajuizou ação na 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro nesta terça-feira (22) para tentar suspender a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da SAF do Botafogo, marcada para quinta-feira (24), que pode diluir ainda mais a Eagle no clube.

A assembleia foi convocada para deliberar sobre um aumento de capital de R$ 2 milhões, com emissão de 200 milhões de novas ações classe B a R$ 0,01 cada.

Textor pede que a Justiça cancele o bônus de subscrição que permitiu ao Botafogo Social alcançar 51% da SAF. Com o mecanismo, a participação da Eagle caiu de 90% para 49%, tornando o presidente João Paulo Magalhães Lins o acionista majoritário.

O clube social está tentando um roubo em plena luz do dia, usando todos os truques à sua disposição, e eu não vou permitir isso.

A frase é de Textor, em nota enviada à imprensa nesta terça. Ele afirma agir "exatamente" como qualquer dono faria para proteger sua companhia e seu investimento.

Por que Textor não é mais o dono, na prática

Textor foi destituído do conselho do Botafogo em 29 de junho, decisão que o clube justificou como forma de eliminar dúvidas sobre a gestão da SAF, marcada por meses de crise gerencial. Desde abril, a operação é acompanhada por um administrador judicial, Eduardo Iglesias.

Textor venceu na Inglaterra e nos Estados Unidos, mas nenhuma dessas decisões vale no Brasil sem homologação da Justiça brasileira — e é justamente aqui que o caso será decidido.

Em maio, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro já havia mantido a suspensão política da Eagle no Botafogo, revertendo decisão anterior do Tribunal Arbitral do Esporte.

O que está por trás da disputa

Sem a presença da Eagle nas decisões, a cúpula do Botafogo Social pretende seguir com a venda de participação da SAF à investidora GDA Luma Capital, do empresário Gabriel de Alba.

A defesa de Textor argumenta que o Botafogo teria uma "vantagem indevida" ao virar sócio majoritário, incluindo o direito de "drag along": a possibilidade de forçar acionistas minoritários a vender suas ações ao comprador escolhido pelo controlador.

Até a conclusão desta reportagem, o Botafogo e o Botafogo Social não haviam se manifestado publicamente sobre a nova ação de Textor. O processo corre em segredo de justiça.

O que acontece agora

A Justiça do Rio de Janeiro ainda não decidiu sobre o pedido de liminar de Textor. A assembleia segue marcada para quinta-feira (24), a menos que uma decisão judicial a suspenda antes disso.