Os Estados Unidos e o Irã tiveram nesta quarta-feira (23) o primeiro contato em meses, por mediadores, à margem da Assembleia Geral da ONU. É o primeiro sinal de diálogo depois que o cessar-fogo de julho fracassou, numa guerra que já dura quase sete meses.
O chanceler iraniano Abbas Araqchi e os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, se comunicaram por mediadores, sem confirmação de encontro presencial.
Segundo Trump, "Steve e Jared tiveram hoje uma reunião muito produtiva com mediadores do Irã". Um dia antes, na própria ONU, ele dissera que precisava decidir entre fechar um acordo com o Irã ou "aniquilar" o país.
O que o Irã está pedindo?
O Irã pede o fim da guerra em todas as frentes e a suspensão dos "atos de agressão" dos Estados Unidos, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei. A exigência não mudou desde que foi apresentada publicamente.
Autoridades iranianas negaram à Reuters que Araqchi e Witkoff tenham se encontrado pessoalmente. Araqchi se reuniu, sim, com o premiê do Catar, mediador recorrente da guerra.
Não é a primeira vez que os dois países chegam perto de um acordo: Trump já suspendeu um novo ataque ao Irã meses atrás, citando negociação em curso, que não se sustentou.
Para o mercado, o sinal desta semana pesa mais que os anteriores. Segundo Stephen Innes, da Quintex Intel, a reunião de três horas faz os investidores deixarem de precificar só uma escalada e passarem a considerar um processo diplomático real.
O que a guerra já custou?
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel atacaram o Irã em conjunto. Os números de mortos variam conforme quem conta: o Irã fala em 3.503 mortos e 26.500 feridos até julho.
EUA e Israel afirmam ter matado 6.000 militares iranianos; a ONG Human Rights Activists contabiliza 1.168 civis mortos no mesmo período. A distância entre essas contagens já rendeu disputa própria sobre os números do Pentágono.
O conflito também encareceu combustível e comida ao redor do mundo, tema que o presidente Lula citou na própria Assembleia Geral da ONU.
O ponto em aberto
Nenhuma das partes confirmou reunião presencial ou novo cessar-fogo. O padrão se repete: sinal de avanço, mediação indireta, condições que não mudaram. Falta saber se o diálogo resiste mais desta vez, ou se as hostilidades recomeçam antes de virar compromisso formal.
































