A aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para 33% dos eleitores registrados, o menor nível já registrado em pesquisa do Financial Times (FT). O levantamento, feito pelo instituto Focaldata, foi divulgado neste mês, a menos de dois meses das eleições de meio de mandato de novembro.

A pesquisa ouviu 1.914 eleitores registrados entre 28 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais. É o menor índice desde maio, quando o FT começou a fazer essa pergunta, e 3 pontos abaixo do mês anterior.

Mesmo entre republicanos a aprovação recuou. Caiu para 72%, também a mínima histórica da série do FT.

O que explica a queda

Segundo o levantamento, quase dois terços dos eleitores acham que a economia americana caminha na direção errada, e 57% dizem estar financeiramente piores durante o governo Trump.

O efeito já aparece no cálculo eleitoral. 46% dos eleitores, incluindo mais da metade dos independentes, dizem que Trump dificulta a vitória de candidatos republicanos ao Congresso em novembro.

Uma pesquisa diferente, da Reuters/Ipsos, mediu a aprovação de Trump em 40%, com metodologia e período de campo distintos. Os institutos não convergem no número exato, mas concordam na direção. A aprovação de Trump vem caindo.

O próprio Trump rejeita o resultado. Ele chamou a pesquisa de "Fake Poll" e acusou "Radical Left Democrats" de conduzir uma "Demoralization Operation" contra o governo, e pediu a candidatos republicanos que concorram em novembro com base no histórico da sua gestão.

O fio que liga a queda ao tarifaço contra o Brasil

O próprio FT atribui parte do desgaste à rejeição doméstica às tarifas e à política comercial de Trump, a mesma política por trás do tarifaço imposto a produtos brasileiros.

O tema já virou munição na campanha brasileira. O PT usa o tarifaço de Trump contra Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo de São Paulo.

Apesar da tarifa, o Brasil vendeu mais aos Estados Unidos em agosto, mesmo perdendo participação no mercado americano.

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No Brasil, o discurso oficial também mira o presidente americano. Nesta segunda (7), Lula disse que o país não será colônia de ninguém em pronunciamento de 7 de Setembro.

O que fica em aberto

A queda de popularidade em casa não muda, por si só, a tarifa que afeta o Brasil. Essa decisão segue sendo do presidente americano, não do eleitorado dele.

A pergunta que fica é até que ponto o desgaste eleitoral de Trump nos Estados Unidos pode pesar no cálculo de sua própria política comercial, num momento em que 46% dos eleitores americanos já veem risco político nela.