A Jaguar Land Rover (JLR) anunciou nesta segunda-feira (7) o corte de quase 4.000 empregos nos próximos dois anos, cerca de 10% da força de trabalho global da montadora britânica. A meta é economizar 1,7 bilhão de libras (R$ 11,7 bilhões).
Segundo a empresa, a decisão vem após meses de instabilidade causados por um ciberataque contra o grupo e pelas tarifas dos Estados Unidos sobre o setor automotivo. A JLR teve prejuízo de 244 milhões de libras (R$ 1,6 bilhão) no último balanço.
O prejuízo reverte um lucro de 1,8 bilhão de libras do ano anterior. O CEO da JLR, PB Balaji, disse que "a indústria automotiva enfrenta desafios significativos, com mudanças tecnológicas em meio a uma concorrência intensa e incerteza geopolítica constante".
A grande maioria dos cerca de 34 mil funcionários da JLR está no Reino Unido. As vagas cortadas são de áreas administrativas e de gestão, por meio de programa de saída voluntária, sem corte confirmado na produção.
A secretária-geral do sindicato britânico Unite, Sharon Graham, chamou o momento de uma "tempestade perfeita" sobre a indústria automotiva. Para ela, sucessivos governos provocaram uma "morte por mil cortes", com anos de subinvestimento e energia industrial cara.
O dirigente sindical Des Quinn, também da Unite, disse que é um momento estressante para os funcionários da JLR. O governo britânico já conversou com a empresa para discutir formas de reduzir o impacto dos cortes.
É um corte decidido do outro lado do Atlântico, mas que já tem efeito sobre operação e emprego em outros países. A alemã Volkswagen havia anunciado, dias antes, o corte de 100 mil vagas na maior reestruturação de sua história.
O que acontece no Brasil
No Brasil, a produção da JLR já estava parada desde junho. A fábrica de Itatiaia (RJ), primeira unidade da montadora fora do Reino Unido, fazia o Range Rover Evoque e o Discovery Sport para a América Latina.
Os carros eram montados em regime CKD, com peças importadas do Reino Unido. O baixo volume de vendas ajudou a justificar o fim da produção local: 425 unidades do Discovery Sport e 332 do Evoque foram emplacadas no Brasil em 2025.
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O Discovery Sport, aliás, terá a produção encerrada no mundo todo até o fim de 2026. A fábrica de Itatiaia, inaugurada em 2016, pode ser assumida pela chinesa Omoda & Jaecoo, do grupo Chery, embora isso não tenha sido confirmado.
A chinesa faz parte de uma leva de marcas chinesas que vêm chegando ao mercado brasileiro. A Jaguar, por sua vez, já havia suspendido a importação de carros novos para o país.
A marca só deve retomar as vendas no Brasil com o primeiro modelo de sua "nova era", um GT elétrico de quatro portas. Hoje, as concessionárias da Jaguar no país vendem só usados e prestam serviço de pós-venda.
O corte de empregos acontece no mesmo momento em que a JLR sente o peso do tarifaço de Trump sobre o setor automotivo, o mesmo que já derrubou a aprovação do presidente americano a 33%.
O que acontece agora
O programa de saída voluntária deve se estender pelos próximos dois anos. No Brasil, o futuro da fábrica de Itatiaia segue indefinido, e a JLR não confirmou se o Discovery Sport ou o Evoque vão voltar a ser importados.


























