O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova York para abrir, nesta terça-feira (22), o debate de chefes de Estado da ONU com uma pauta dupla: defender soberania nacional diante dos Estados Unidos e usar a vitrine internacional a 13 dias da eleição.
Segundo a Folha, Lula fará o discurso tradicionalmente reservado ao Brasil e será seguido pelo presidente americano Donald Trump. A possibilidade de um encontro breve entre os dois existe nos bastidores, mas a agenda oficial de Lula inclui Zohran Mamdani, Bernie Sanders e Yamandú Orsi.
O UOL informou que aliados veem a viagem como chance de reforçar a imagem de Lula como "estadista internacional". A leitura é eleitoral: o petista tenta contrastar a presença em fóruns globais com a família Bolsonaro, enquanto a campanha entra na reta final.
Essa aposta tem custo diplomático. Na análise do UOL, Lula precisa equilibrar o papel de candidato, mais combativo, com o de presidente, que tenta amenizar a crise com Washington e destravar uma agenda comercial já tensionada por tarifas e sanções.
O discurso não é só para a ONU. Também fala ao eleitor brasileiro que acompanha a disputa com os EUA como tema de soberania.
Por que o Brasil abre a Assembleia?
O Brasil abre a Assembleia porque virou tradição diplomática desde 1955, segundo explicação do UOL. A ordem usual do Debate Geral começa com o secretário-geral, passa pelo presidente da Assembleia, segue com o Brasil e depois com os Estados Unidos.
Não há regra formal que obrigue essa posição. O UOL lista teorias que passam pela disposição brasileira de falar nas primeiras sessões da ONU, pelo papel de Oswaldo Aranha em 1947 e pela compensação simbólica ao país sem assento permanente no Conselho de Segurança.
Neste ano, a ordem ganha peso porque Lula e Trump aparecem em sequência. A Folha informou que o brasileiro deve defender soberania sem ataques diretos ao governo americano e abordar crime organizado, emergência climática e fome.
A frente externa também se mistura à disputa eleitoral interna. A TV Sim já mostrou que o governo levou o tarifaço dos EUA à OMC, enquanto aliados e adversários usam a crise com Washington como munição de campanha.
O que acontece agora
Lula discursa na manhã de terça-feira (22) e deve voltar ao Brasil depois da agenda em Nova York. A Assembleia Geral de 2026 terá 81 chefes de Estado e 50 chefes de governo, segundo o UOL.
O encontro não contará presencialmente com Vladimir Putin nem Xi Jinping. Segundo a Folha, Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia assinaram manifesto defendendo multilateralismo, reforma das instituições do pós-guerra e cooperação em clima, inteligência artificial e segurança sanitária.
Esse é o ângulo que diferencia a viagem de um comício fora do país. Ao mesmo tempo em que Lula mira o eleitor, o governo tenta mostrar que a disputa com Trump não isola o Brasil.
A campanha, porém, continua no centro. A Folha descreve uma corrida acirrada contra Flávio Bolsonaro, e a TV Sim já mostrou pesquisa com Flávio à frente em São Paulo. O petista também avalia debates, como a ida à Globo na reta final.

































