Um estudo publicado na revista científica Cell encontrou evidências de que os estimulantes usados contra o TDAH, como a Ritalina, não agem nas redes cerebrais de atenção do cérebro. Em vez disso, eles atuam em circuitos ligados à recompensa e à excitação.
A pesquisa analisou exames de ressonância magnética funcional em repouso de 11.875 crianças de 8 a 11 anos, participantes do Adolescent Brain Cognitive Development Study, nos Estados Unidos. Os achados foram confirmados num experimento menor com adultos que receberam metilfenidato, princípio ativo da Ritalina.
Os remédios para TDAH não aumentam a atenção?
Segundo o estudo, as diferenças ligadas ao estimulante apareceram em regiões sensório-motoras de excitação e em redes de saliência e memória ligadas à recompensa. Não houve efeito equivalente na rede de atenção dorsal do cérebro.
A hipótese dos pesquisadores é que o remédio não "liga o foco" da criança. Ele tornaria as tarefas mais recompensadoras, ajudando a manter o esforço em atividades tediosas ou difíceis, mais perto de um efeito sobre a motivação do que sobre a atenção propriamente dita.
O achado contraria o modelo mais popular do TDAH como um "déficit de atenção" que os estimulantes corrigiriam diretamente.
Por que o nome "déficit de atenção" pode confundir?
Para neurocientistas, atenção tem um sentido técnico restrito: a amplificação seletiva de informação relevante, medida em tarefas de laboratório, como ignorar distrações ou achar um alvo escondido.
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Esse não é, porém, o sentido que a maioria das pessoas usa ao descrever dificuldades de foco, organização, impulsividade e inquietação no dia a dia — sintomas que levam pais a observar a saúde mental dos filhos e buscar diagnóstico de TDAH.
A descoberta chega num momento de debate sobre o aumento nos diagnósticos de TDAH e no uso de estimulantes prescritos, entre quem defende que o transtorno era negligenciado e quem teme a hipermedicalização de dificuldades comuns.
Em 2024, outro estudo já havia identificado três biotipos cerebrais distintos do TDAH, sugerindo que o transtorno não tem uma única origem neurológica, com implicações diferentes para o tratamento de cada perfil.





























