O Programa Mundial de Alimentos da ONU alertou que um El Niño muito forte pode levar mais 49 milhões de pessoas à fome aguda no mundo até o fim de 2027. No Brasil, pesquisa do Instituto Nexus mostra que 77% da população teme forte alta no preço dos alimentos por causa do fenômeno.

Segundo o PMA, que vê 81% de chance de um El Niño muito forte se confirmar, o total de pessoas em insegurança alimentar aguda no mundo subiria de 225 milhões para 274 milhões. A América do Sul e o Caribe devem somar mais de 12 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda cada uma, enquanto a América Central pode ter alta de 83% nesse indicador e a África Austral, de cerca de 75%. O órgão atribui o quadro ao aquecimento das temperaturas oceânicas nos níveis mais altos desde 1982, a padrões climáticos alterados — secas, atraso de monções e chuvas irregulares —, aos conflitos no Oriente Médio, a possíveis perdas de safra e à redução do financiamento humanitário por parte de doadores dos Estados Unidos e da Europa. "Esses são eventos que, no passado, provocaram fome em grande escala", disse Jean-Martin Bauer, diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do PMA.

Como os brasileiros veem o risco?

A pesquisa Nexus, feita com 2.000 entrevistas domiciliares presenciais em todos os estados do país, mostra que 77% dos brasileiros acreditam que o El Niño vai impactar "muito" a inflação de alimentos, contra apenas 5% que acham que os preços não serão afetados. Além disso, 89% dos entrevistados esperam efeitos no abastecimento de água e na conta de luz, 87% preveem danos à infraestrutura das cidades e 76% temem piora de problemas respiratórios e disseminação de doenças ligadas a enchentes.

"A memória da população sobre as enchentes no Sul e os deslizamentos no Sudeste ainda é recente. O medo de que isso volte a afetar a rotina está muito presente, o que leva nove em cada dez brasileiros a acreditar que o El Niño vai ter impacto na infraestrutura do país, no abastecimento de água, na saúde das pessoas e no custo de vida", afirmou Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.