A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, mirando suposta infiltração do PCC em empresas de ônibus de São Paulo. Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal, é um dos 16 alvos de mandado de prisão.

Segundo o Ministério Público, há elementos colhidos na investigação de que os alvos integram a organização criminosa, alguns deles em funções de liderança.

Entre os presos também estão advogados, o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e um ex-servidor da SPTrans, empresa pública ligada à Prefeitura de São Paulo.

O que a operação apura?

A operação apura uma suposta rede em que o PCC, organização que o governo ainda resiste em chamar de terrorista, teria contaminado empresas de ônibus na capital e no interior.

Segundo o MP, ao menos 12 empresas de ônibus em São Paulo seriam controladas direta ou indiretamente pela facção.

A ação é desdobramento da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024. Ela identificou uma rede de comunicação usada pela facção entre presos e pessoas soltas, com participação de advogados.

A Decúrio também apontou um projeto de infiltração de agentes do crime organizado nas eleições municipais daquele ano.

O nome de Leite já havia surgido em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar. O documento tratava de policiais presos por atuarem na escolta particular de dirigentes da Transwolff, empresa acusada de lavar dinheiro para o PCC, o que ela nega.

Em fevereiro, um sargento chamou Leite de "chefe" em mensagem a um diretor da empresa. O próprio ex-vereador negou conhecê-lo.

Quem é Milton Leite?

Milton Leite tem 70 anos e construiu sua base eleitoral na Zona Sul de São Paulo, sobretudo no Grajaú. Foi vereador por sete mandatos, entre 1997 e 2024, e presidiu a Câmara Municipal quatro vezes, sendo o presidente mais longevo da Casa desde a redemocratização.

Em 2020, foi o 2º vereador mais votado da cidade, com 132.716 votos. Ao anunciar que não disputaria a reeleição em 2024, afirmou que pretendia "ir pescar, cuidar da saúde, da família e dos negócios".

Apesar disso, seguiu influente nos bastidores. Indicou o sucessor na presidência da Câmara e passou a presidir o diretório estadual do União Brasil.

O que acontece agora

Os mandados de prisão cumpridos nesta quinta ainda podem ser contestados pela defesa dos investigados junto à Justiça de São Paulo. A reportagem não teve acesso a manifestação de Leite ou de seus advogados sobre a operação até a publicação.

A investigação integra uma frente mais ampla contra o PCC. Nesta mesma semana, a Polícia Federal deflagrou uma operação que bloqueou R$ 508 milhões ligados a facções em todo o país.

O caso ocorre também em meio a atrito diplomático sobre o tema: o governo brasileiro nega falhas no combate ao PCC e ao CV após críticas dos Estados Unidos.