O Ministério Público de São Paulo investiga o caso de Júlia Bossoni, que perdeu parte dos movimentos do corpo após andar na montanha-russa Montezum, no Hopi Hari, em Vinhedo. Segundo o Fantástico, ela saiu desacordada do brinquedo em abril e ficou 57 dias internada.

A reportagem exibida neste domingo (20) afirma que Júlia e João Pedro Bossoni viajaram de Londrina, no Paraná, para o parque no interior paulista. Eles entraram duas vezes na Montezum, atração de madeira inaugurada em 1999.

Na primeira volta, segundo o relato de João Pedro, não houve problema. "A gente conseguiu ainda pegar uma promoção e também ganhamos uma passagem VIP para a Montezum. E a gente foi a primeira vez, não teve problema", contou ele.

As câmeras do parque, de acordo com o Fantástico, mostram o casal sentado nos bancos de trás. A imagem registra Júlia consciente na subida.

Não há imagens do restante do percurso, e o carrinho retorna à plataforma cerca de dois minutos depois com a jovem desacordada.

"Ela já estava inconsciente, já estava convulsionando e nesse momento você fica desesperado, não sabe o que fazer", relatou João Pedro. Funcionários se aproximaram, e Júlia foi colocada em uma maca depois de seis minutos, segundo a reportagem.

A jovem foi levada para a Santa Casa de Vinhedo, a cerca de 15 quilômetros do parque. Segundo o material exibido pela Globo, os primeiros exames apontaram hemorragia intracraniana e grande edema cerebral, quadro que levou a uma cirurgia de urgência.

O neurocirurgião Victor Batistela afirmou à reportagem que Júlia passou por uma craniectomia descompressiva. O procedimento retira parte da calota craniana para permitir a expansão do cérebro durante o processo de inchaço.

O diagnóstico citado foi traumatismo cranioencefálico. Conforme o laudo médico mencionado pelo Fantástico, o traumatismo teria sido causado por mecanismo de contragolpe, formulação atribuída ao especialista.

A investigação do MP apura o que ocorreu no percurso e se houve falha ligada à operação da atração.

A Montezum é descrita pelo parque e pela reportagem como a maior montanha-russa de madeira da América Latina. A atração tem cerca de 42 metros de altura, mais que um prédio de 13 andares, e pode chegar a 103 km/h.

Outros visitantes também relataram à reportagem fraturas e lesões que atribuem a solavancos e freadas bruscas no brinquedo. O UOL também manchetou o caso neste domingo, com foco na perda de movimentos do lado esquerdo da jovem.

O site oficial do Hopi Hari informa que o parque fica no km 72 da Rodovia dos Bandeirantes, em Vinhedo. A imagem usada nesta matéria é uma foto de arquivo da Montezum em operação, registrada em 2022.

A foto não mostra o dia do atendimento de Júlia.

O caso segue em investigação pelo Ministério Público paulista. A etapa decisiva é a apuração técnica sobre a dinâmica do passeio, os atendimentos prestados após o retorno do carrinho e a relação entre a lesão descrita no laudo e a experiência na montanha-russa.