A Paramount negocia com procuradores estaduais dos Estados Unidos para destravar a compra da Warner Bros. Discovery, dona da CNN. Segundo a CNN, a conversa avançou na Califórnia, mas Nova York e Connecticut ainda resistem antes de um julgamento marcado para março de 2027.

O acordo é decisivo porque a ação antitruste de 12 estados impede o fechamento da operação. O Wall Street Journal informou que as conversas tratam de uma aquisição de US$ 81 bilhões e de preocupações com concentração no cinema e na TV a cabo.

Na prática, o impasse deixou de ser só financeiro. Segundo a CNN, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, busca proteções adicionais para trabalhadores, enquanto Connecticut cobra garantias para preservar a independência editorial da CNN e da CBS News.

O que está em jogo não é apenas quem controla estúdios e catálogos, mas quem define o futuro de canais de notícia e produção audiovisual.

A Califórnia é o centro da pressão. Rob Bonta, procurador-geral do estado, lidera a coalizão que moveu o processo, mas agora tenta fechar um acordo. A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, disse que lutará para manter a produção de cinema e televisão na cidade.

Sem acordo, a disputa vai a julgamento em março de 2027. A CNN afirma que esse atraso pode comprometer a aquisição, porque alonga a incerteza sobre uma transação que já mexe com empregos, sindicatos, programação e controle de ativos de mídia.

Por que os estados ainda resistem?

Os estados ainda resistem porque querem contrapartidas além da aprovação regulatória federal. Segundo a AP, a operação é avaliada em US$ 111 bilhões quando inclui dívida e ainda enfrenta ações antitruste de estados e do Writers Guild of America.

A AP informou que a Comissão Federal de Comunicações aprovou a participação estrangeira indireta na fusão. Fundos soberanos da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos comprometeram US$ 24 bilhões, sem direito a voto, para apoiar o negócio.

A Paramount tenta mostrar que a resistência americana é exceção. A Axios informou que a empresa dizia ter aprovações em 66 jurisdições, incluindo Europa, Austrália, Brasil, Canadá e China, além do aval do governo federal dos Estados Unidos.

O Reino Unido também liberou a compra, segundo a Axios, depois de garantias sobre independência editorial, produção local e canais infantis. Esse histórico internacional é o principal argumento da Paramount para reduzir o peso político do processo estadual.

O que muda para o streaming?

O que muda para o streaming é a escala da nova dona de catálogos, canais e estúdios, caso a fusão saia do papel. A TV Sim já havia mostrado que HBO Max e Paramount+ poderiam se unir em um único serviço.

Essa combinação ampliaria o poder de negociação com assinantes, produtoras, salas de cinema e operadoras. Também explica por que os estados miram efeitos sobre preços, empregos e diversidade de conteúdo, não apenas o tamanho das empresas no papel.

O que acontece agora

O que acontece agora é a tentativa de transformar as conversas avançadas em um acordo aceito por todos os estados da coalizão. Se Nova York e Connecticut mantiverem resistência, o caso segue para o julgamento na Califórnia em março de 2027.

A Paramount já aceitou adiar o fechamento até a solução do caso estadual ou até o fim do acordo de fusão, em junho de 2027, segundo a Axios. Esse calendário faz do acordo a diferença entre uma compra rápida e uma disputa longa.