O Brasil é o 2º país do mundo com mais tornados, atrás apenas dos Estados Unidos. Um levantamento aponta 524 tornados registrados no país entre julho de 2018 e agosto de 2026, com 43% deles concentrados na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina.
Onde e por que os tornados mais fortes se formam
Três estados concentram a maior parte dos registros: Rio Grande do Sul (93), Paraná (81) e Santa Catarina (53), juntos responsáveis por 227 dos 524 casos mapeados. A faixa de maior risco vai do centro do Paraná ao oeste catarinense.
Ali, o encontro entre o ar quente e úmido vindo da Amazônia e o ar frio e seco vindo da Argentina intensifica o cisalhamento do vento, favorecendo a formação de supercélulas (tempestades rotativas capazes de gerar os tornados mais fortes).
Dois eventos recentes mostram a força desses sistemas. Em Giruá (RS), um tornado com ventos de até 300 km/h feriu quatro pessoas em julho. Em Rio Bonito do Iguaçu (PR), um tornado de 250 km/h destruiu cerca de 90% da cidade em novembro de 2025.
O desastre na cidade paranaense, de 14 mil habitantes, deixou seis mortos. O número de feridos chegou a cerca de 750, segundo balanço amplamente noticiado à época.
Ficou mais frequente, ou só mais fácil de registrar?
Para o meteorologista Francisco de Assis Diniz, do Inmet, os tornados estão mais frequentes e mais intensos: "a Terra está passando por um período quente, que faz com que haja aumento dos temporais, dos vendavais".
Marcelo Seluchi, do Cemaden, discorda. Para ele, o fenômeno não aumentou, só ficou mais fácil de flagrar: "ocupamos maior território, todo mundo com celular, então hoje é difícil um tornado escapar".
Já para o pesquisador Ernani Nascimento, do Inpe, os dois fatores se somam: mais celulares registrando o fenômeno e, ao mesmo tempo, mudanças no clima que podem estar tornando as tempestades mais frequentes.
O que falta para resolver essa dúvida
Nenhum dos três cientistas tem hoje uma série histórica de dados longa e homogênea o suficiente para provar sua tese com certeza. Enquanto ela não existe, o Brasil segue subindo no ranking mundial de tornados, seja pelo clima, seja pela câmera do celular.


























