O Conselho Deliberativo do Flamengo vota nesta terça-feira (15), às 18h30, uma reforma estatutária que cria uma diretoria remunerada para tocar o dia a dia do clube. A chamada "emenda do profissionalismo", proposta pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, mantém o Flamengo como associação civil e não transforma o clube em SAF.
O texto separa quem manda de quem executa. Uma nova Diretoria Profissional passa a responder pela operação do dia a dia, com dois cargos remunerados por critério técnico: diretor-geral, para a gestão corporativa, e diretor de futebol, para as categorias profissional e de base.
Como fica a estrutura de comando
Acima da diretoria, um novo Conselho Gestor (Coge) passa a supervisionar estratégia, metas, riscos e a estrutura organizacional, sem interferir na rotina operacional do clube, que segue sendo dirigido no dia a dia pelos diretores técnicos indicados pela nova diretoria.
O texto também institui orçamento anual obrigatório, com planejamento de três e cinco anos e indicadores de desempenho. A proposta nasceu na Comissão Permanente de Estatuto, que reuniu 98 sugestões de sócios em 15 blocos de emendas.
O Flamengo fatura mais de R$ 2 bilhões por ano (a maior receita do futebol brasileiro) e hoje reparte a gestão entre vice-presidências ocupadas por voluntários. A reforma cria dois cargos técnicos remunerados, incorporando cerca de três quartos das sugestões dos sócios ao texto.
A crítica dos conselheiros de oposição
Nem todo conselheiro apoia o texto como está. O grupo Frente Flamengo Maior apresentou 15 emendas e defende que a proposta de Bap concentra poder na Presidência e enfraquece o Conselho Deliberativo, hoje o principal órgão de fiscalização do clube.
Entre as contrapropostas, o grupo quer retirar do presidente o poder de veto sobre decisões do Conselho Gestor, subordinar o diretor de futebol ao diretor-geral, em vez da Presidência, e exigir aprovação prévia do colegiado para operação acima de 5% da receita anual do clube.
O texto alternativo também propõe publicar o orçamento em até cinco dias úteis, divulgar contratos de patrocínio, criar diretorias de relação com a torcida e de sustentabilidade (ESG) e devolver aos atletas um representante com voto nas pautas trabalhistas do Conselho Gestor.
Enquanto discute a própria estrutura fora de campo, o Flamengo retomou a liderança do Brasileirão ao vencer o Corinthians no fim de semana.
O que acontece agora
O Conselho Deliberativo se reúne às 18h30 desta terça para votar o texto. Conselheiros ainda podem apresentar emendas de plenário antes da votação, e o resultado define se o modelo criado por Bap entra em vigor ainda nesta gestão.


























