Um post publicado às 21h50 de 23 de setembro deu origem a um boato sobre a padroeira do Brasil que, segundo monitoramento apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), foi replicado por 29 perfis. O levantamento aponta como ponto de partida o perfil pró-governo "Dilma Bolada", de Jeferson de Oliveira Monteiro, que nega ser o autor da publicação.

O caso levou o TSE a determinar a remoção de mais de 1.000 publicações. O post dizia que "católico não vota em nenhum Bolsonaro" nem em candidato que quisesse retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.

Seis minutos depois, outro perfil já amplificava a mensagem, afirmando que evangélicos fariam pressão para tirar o título da santa.

A base real por trás do boato é um projeto de lei arquivado havia quase 20 anos. Apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado Victório Galli, ele propunha trocar "padroeira do Brasil" por "padroeira dos católicos apostólicos romanos brasileiros".

O projeto não tem qualquer relação com Flávio Bolsonaro. No dia seguinte, às 20h13, a GloboNews chegou a comentar ao vivo uma suposta mobilização evangélica contra o título da padroeira. Horas depois, o canal divulgou nota reconhecendo o erro e pediu desculpas.

Como o boato ganhou escala?

A campanha de Flávio afirma ter identificado 29 perfis que ajudaram a espalhar a informação falsa. Segundo o mesmo levantamento, um dos posts somou 2 milhões de visualizações em menos de 24 horas e outro chegou a 2,4 milhões; um terceiro perfil teria publicado 12 mensagens com informações distorcidas sobre o tema.

Ainda de acordo com o monitoramento da campanha, o tema Nossa Senhora Aparecida chegou a somar cerca de 1 milhão de publicações nas redes, o 3º assunto político de maior repercussão de 2026. A TV Sim não teve acesso à metodologia desse levantamento nem confirmação independente dos números e das atribuições de autoria.

Jeferson Monteiro negou publicamente, no sábado (26), ser autor de fake news contra Flávio Bolsonaro. A atribuição da postagem original ao seu perfil consta do monitoramento apresentado pela campanha do candidato, parte interessada no caso.

A campanha de Flávio obteve decisão do TSE para remover as publicações que replicavam o boato.

Não é a primeira vez que uma fake news sobre o candidato chega à Justiça Eleitoral. Em agosto, o TSE já havia mandado remover outro post falso contra ele.

Naquele mesmo mês, um vídeo feito com inteligência artificial ligando Flávio a um banqueiro também foi retirado do ar por ordem da Justiça Eleitoral.

A remoção de conteúdo por decisão do TSE não é exclusividade de um lado da disputa. A Justiça Eleitoral também já mandou a Secom retirar posts que davam destaque pessoal ao presidente Lula.

O ponto em aberto

O episódio da padroeira mostra a distância de velocidade entre a mentira e a correção. O post original levou 6 minutos para ser amplificado e horas para chegar à TV aberta.

A nota de retratação da GloboNews e o desmentido, por outro lado, vieram depois que os posts com maior alcance já somavam milhões de visualizações — uma desproporção que se repete a cada novo episódio de desinformação eleitoral, não só neste.