A primeira-dama Janja Lula da Silva convocou, neste sábado (19), em Florianópolis (SC), mulheres apoiadoras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a buscar votos para a reeleição dele. Pediu que conversem com indecisos e com quem já votou no bolsonarismo.

Santa Catarina é o estado com maior rejeição a Lula do país e um dos que mais votaram em Jair Bolsonaro nas eleições passadas, com cerca de 70% dos votos.

"Tem muita gente que ainda está indecisa e está desanimada, que não sabe se vai votar. Por isso que eu estou fazendo aqui uma convocação geral. Vamos entrar em campo com diálogo", disse Janja durante o ato de campanha.

Faltam cerca de duas semanas para o primeiro turno. A primeira-dama orientou as apoiadoras a evitar o confronto direto com quem pensa diferente.

"Tenham conversas didáticas. Não é para chegar brigando", declarou.

O que Janja pediu que as apoiadoras dissessem?

Janja recomendou que o diálogo mostre o que o governo já fez: a cobrança de mais impostos de quem ganha mais, o acesso gratuito a remédios pela Farmácia Popular, a educação pública e a redução da jornada de trabalho.

Ao citar as mulheres, ela defendeu o fim da escala 6x1, hoje discutida no Congresso em outra pauta que também mobiliza o governo, a das apostas online.

"Nós mulheres que trabalhamos às vezes com 3 jornadas de trabalho, chegamos em casa cansadas e ainda temos que limpar tudo. É por isso que a gente luta tanto pelo fim da escala 6x1", afirmou Janja.

Ela também orientou os apoiadores a abordar quem perdeu dinheiro com apostas online, citando o jogo eletrônico conhecido como "Tigrinho", hoje na mira de fiscalização e de projetos de restrição às bets.

"Pergunte para aquele colega de trabalho que perdeu quase tudo se ele quer um presidente que lute pelo bem-estar, pela qualidade de vida dele, longe do vício e das dívidas", disse.

Por que Santa Catarina virou o centro da disputa neste fim de semana?

Santa Catarina tem 5,7 milhões de eleitores e concentrou a agenda dos dois principais presidenciáveis neste sábado, a 15 dias do primeiro turno.

No mesmo dia do ato de Janja, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, também fez campanha no estado, em Joinville e Chapecó, ao lado do ex-governador Jorginho Mello (PL).

O estado deu a Jair Bolsonaro 62% dos votos no 1º turno de 2022 e 69% no 2º turno, a 4ª maior votação proporcional do país. É essa força bolsonarista que Janja mirou ao levar o apelo ao eleitor indeciso diretamente a Florianópolis.

A primeira-dama afirmou que parte de quem já votou na família Bolsonaro pode mudar de posição neste ano. Segundo ela, é o mesmo eleitorado que o próprio Lula tem tentado disputar em outras falas recentes de campanha.

"A gente sabe que existem pessoas que já votaram na família Bolsonaro ou em representantes do bolsonarismo e, com o passar dos anos, foram se dando conta", disse Janja, ao defender que os apoiadores insistam no diálogo com esse grupo.

Não é a primeira vez que a primeira-dama assume um papel de ataque direto na campanha: dias antes, ela havia chamado a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de "Bolsonara da Ceilândia" em outro evento de campanha.

O que acontece agora

O primeiro turno das eleições presidenciais está marcado para 4 de outubro. Janja e outras lideranças do PT devem repetir a estratégia de mobilização de apoiadoras em outros estados de alta rejeição a Lula até lá.