O número de candidatos que registraram "Bolsonaro" no nome de urna caiu de 45 em 2022 para 30 em 2026, segundo levantamento do InfoMoney com dados do TSE. É a primeira eleição desde 2018 em que o ex-presidente, hoje inelegível, não está na disputa presidencial.

Do lado do PT, o recuo aparece em proporção parecida: candidatos com "Lula" no nome de urna caíram de 15 para 7 no mesmo período. Os dois sobrenomes mais usados como marca eleitoral perderam força nesta eleição.

O caso mais direto é o de Jair Renan Valle Bolsonaro, filho mais novo do ex-presidente e candidato a deputado federal pelo PL em Santa Catarina. Ele registrou o nome de urna "Jair Bolsonaro", a mesma identificação usada pelo pai na vitória de 2018.

Nem todo mundo consegue usar o sobrenome, porém. Em Mato Grosso, a Justiça Eleitoral proibiu a candidata a deputada estadual Flaviane Ramalho de Oliveira (Novo) de se apresentar como "Flaviane do Bolsonaro".

Segundo o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, do TRE-MT, o sobrenome não está no nome civil da candidata, não há vínculo familiar e não havia prova de que ela já usasse essa identificação publicamente. O nome de urna definido foi "Dra. Flaviane Ramalho".

Há ainda quem use o sobrenome do adversário como crítica, não elogio: o candidato "Dr. Célio, Lula do Bem" (PL) incorporou o nome do presidente ao próprio como ironia de campanha.

Bolsonaro está fora da disputa presidencial pela primeira vez desde 2018, e é também a primeira vez que o uso do sobrenome nas urnas cai. A Resolução TSE nº 23.609/2019 permite negar um nome quando ele cria dúvida sobre a identidade do candidato.

O limite da fiscalização

A Justiça Eleitoral já mostrou que pode negar um nome de urna quando falta vínculo comprovado, como no caso de Mato Grosso. O exame, porém, é feito caso a caso, à medida que as candidaturas são registradas nos 27 tribunais regionais eleitorais.

Isso deixa em aberto quantos pedidos parecidos ainda serão analisados até a eleição de outubro.