A abstenção no 1º turno das eleições de 2026 chegou a 21,08%, a maior taxa desde 1998, quando o índice foi de 21,5%. Faltaram às urnas 33.444.876 eleitores, de um total de 158.745.463 aptos a votar, segundo o TSE.

É a quinta eleição seguida em que a abstenção sobe. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o índice de ausência ficou em 22,5%, acima da média nacional.

O resultado consolida uma tendência que já vinha sendo discutida antes do pleito, quando pesquisas indicavam risco de abstenção recorde.

Onde a abstenção foi maior?

A cidade com a maior abstenção do país foi Rio Vermelho, em Minas Gerais: 40,09% dos 10.175 eleitores aptos, mais de quatro mil pessoas, não compareceram.

Das 10 cidades com maior abstenção do Brasil, 8 estão em Minas Gerais, entre elas Santo Antônio do Itambé (39,55%) e Serra Azul de Minas (38,71%). Completam a lista Anhanguera, em Goiás, e Barcelos, no Amazonas.

O avesso do fenômeno também virou notícia. Um eleitor de 107 anos viajou 70 km para votar na cidade natal, mesmo sem a obrigatoriedade que vale para maiores de 70 anos.

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Entre as hipóteses para o fenômeno, uma pesquisa já havia relacionado solidão e uso de redes sociais à abstenção eleitoral, meses antes do pleito.

O que acontece agora

Para o 2º turno, em 25 de outubro, a tendência histórica é de abstenção ainda maior, com a exceção de 2022. Estados que já definiram o governador no 1º turno tendem a ter mais ausência na segunda rodada.

Quem não votou no 1º turno pode votar no 2º normalmente, já que cada turno é tratado como um pleito distinto pela Justiça Eleitoral.

O ponto em aberto

A série histórica mostra abstenção subindo há cinco eleições seguidas, independentemente de quem disputa o segundo turno. É um padrão estrutural, não um efeito pontual desta eleição.

A pergunta que fica para depois de 25 de outubro é se o 2º turno repete o padrão dos estados já decididos, com ainda mais gente fora das urnas, ou se a disputa presidencial em aberto segura parte desse eleitorado.