O Brasil segue com o maior juro real do mundo mesmo depois de o Copom cortar a Selic para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16), o quinto corte seguido. Segundo a MoneYou e a Lev Intelligence, a taxa real brasileira ficou em 8,45%.

O juro real desconta a inflação projetada da taxa de juros nominal. Descontados os 4,71% de inflação esperada pelo mercado para os próximos 12 meses, segundo o Boletim Focus, o resultado é a maior taxa entre os 40 países do levantamento.

A distância para o 2º colocado encolheu para o menor nível em meses: a Rússia aparece logo atrás, com juro real de 6,79%, uma diferença de apenas 1,66 ponto percentual. Completam as primeiras posições a Colômbia, com 6,33%, e a Turquia, com 6,25%.

O Brasil assumiu a liderança do ranking em junho, quando a taxa real chegava a 9,67%, tirando a posição da Rússia. Desde então, os cortes seguidos da Selic reduziram o indicador, mas não tiraram o país do topo.

Em termos nominais, porém, o Brasil não lidera. Com a Selic em 13,75%, o país ocupa a 4ª posição, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14%).

A liderança no juro real vem da combinação entre o nível dos juros e a inflação projetada, mais baixa aqui do que nesses concorrentes diretos.

Juro real elevado encarece o crédito e a dívida pública, mas também sustenta a atratividade da renda fixa brasileira para investidores — um dos fatores por trás de um custo de vida que segue pressionado no país.

"As perspectivas inflacionárias para os próximos 12 meses foram majoritariamente revisadas para cima nos países do ranking, criando uma série significativa de juros reais mais baixos e negativos", afirma o economista-chefe da Lev/MoneYou, Jason Vieira, em relatório.

Segundo Vieira, mesmo que o Copom cortasse a Selic ainda mais, para 13,50%, o Brasil continuaria na liderança, com juro real de 8,29%. A decisão desta quarta ocorreu no mesmo dia em que o Fed subiu os juros nos Estados Unidos.

O ponto em aberto

O Brasil está no topo do ranking de juro real desde junho, quando ultrapassou a Rússia. A distância para o segundo colocado, hoje de 1,66 ponto percentual, é a menor desde então.

Isso mostra que cortar a Selic não é suficiente, sozinho, para tirar o país da liderança enquanto a inflação projetada aqui continuar mais baixa que a dos concorrentes diretos do ranking.