O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reuniu embaixadores de 86 países em Brasília nesta segunda-feira (17) para defender a segurança das urnas eletrônicas. O encontro ocorre dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) associar a fabricante das urnas brasileiras a uma fraude eleitoral na Venezuela, afirmação que o TSE já havia desmentido.
"O Brasil se tornou, ao longo das últimas décadas, uma referência mundial" na realização de eleições, disse Nunes Marques aos diplomatas.
"Teremos 560.011 urnas eletrônicas distribuídas em 2.641 zonas eleitorais", afirmou o ministro. Ele detalhou ainda que o país soma 497.631 seções eleitorais em 5.571 municípios, mais 1.353 seções no exterior, com cerca de 2 milhões de mesários voluntários.
Ao todo, cerca de 100 representantes de embaixadas estiveram no encontro, representando os 86 países, segundo o Correio Braziliense.
Estarão credenciadas para observar o pleito de 2026 missões da Organização dos Estados Americanos, da União Europeia, do Parlasul, da Uniore, da Liga Árabe e da Rede de Órgãos de Direitos Humanos da CPLP, segundo o TSE.
O tribunal também criou uma comissão permanente e um plano de ação contra riscos de inteligência artificial, voltado à manipulação de áudio e vídeo direcionada a eleitores.
A polêmica que motivou o encontro
O encontro acontece na esteira de uma polêmica interna. Dias antes, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, afirmou que a empresa fabricante das urnas brasileiras era a mesma envolvida num esquema de fraude eleitoral na Venezuela.
O TSE já tinha desmentido essa história antes e voltou a fazer isso depois da nova declaração de Flávio Bolsonaro.
A reunião com embaixadores também vem depois de um episódio envolvendo os Estados Unidos. Em julho, o Itamaraty negou visto a dois diplomatas americanos que viriam ao Brasil tratar de integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
Uma ala do TSE suspeitava que os dois diplomatas tinham a real intenção de desacreditar o processo eleitoral brasileiro. O governo dos Estados Unidos negou essa intenção.
Os Estados Unidos não têm embaixador titular no Brasil no momento (o posto é ocupado interinamente pela encarregada de negócios Kimberly Kelli). Ainda assim, uma delegação americana se reuniu com o TSE em 13 de agosto, dias antes do encontro com os demais 86 países.
Nunes Marques classificou o processo eleitoral brasileiro, diante dos representantes estrangeiros, como eficiente, transparente e crível.


























