O jornal argentino La Nación avalia que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno deste domingo (25) consolidaria a 'onda azul' da direita. O termo é usado pelo argentino Javier Milei para descrever o avanço da direita na região.
"Se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, não será por pertencer ao Partido Liberal (PL), mas por ser o candidato anti-Lula", escreveu o La Nación. Segundo o jornal, a campanha brasileira careceu de debate programático.
Os candidatos trocaram ataques e denúncias judiciais, mas não detalharam o que pretendem fazer se eleitos. O veículo considera essa lacuna mais grave no caso de Flávio, que nunca ocupou cargo executivo.
A publicação atribui o desgaste de Lula após três mandatos ao principal fator que levou Flávio a terminar o primeiro turno à frente do presidente. "Os Bolsonaro têm base ideológica fiel, mas com essa base não ganhariam uma eleição", diz o texto.
"Se ganharem, será por serem a opção frente a Lula", completa o La Nación.
O que a Casa Rosada reivindica
O governo argentino atribui a Milei influência direta sobre o resultado eleitoral brasileiro. Em 6 de outubro, o porta-voz Adrián Ravier apresentou um mapa da 'onda azul' sul-americana.
Ele creditou a Milei vitórias de candidatos de direita na Bolívia, Chile, Colômbia, Peru, Honduras e Costa Rica, com o Brasil incorporado à lista após o desempenho de Flávio no primeiro turno.
O chanceler argentino Pablo Quirno foi além e disse que a Argentina manteve contato com a campanha de Flávio. Segundo Quirno, a recuperação do candidato nas pesquisas começou em 25 de julho, data em que Milei participou da convenção nacional do PL.
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O governo argentino negou que uma vitória de Flávio reduza a liderança de Milei entre os países de direita da região.
Na véspera da votação, Milei chamou Lula publicamente de "ladrão e mentiroso", reforçando a aposta pública na vitória de Flávio.
Nem todo mundo lê como disputa ideológica
Outro jornal argentino, o Clarín, oferece uma leitura diferente. Para o veículo, a eleição brasileira não se resume a um "básico esquerda ou direita", mas a uma comparação de capacidades de governo.
Lula chega com três mandatos e desempenho macroeconômico considerado eficiente pelo Clarín, enquanto Flávio ainda busca se firmar como opção de governo. É uma leitura mais cautelosa que a do La Nación.
A repercussão não fica restrita à região. O jornal britânico Financial Times escreveu que uma vitória de Bolsonaro pode aproximar o Brasil do governo de Donald Trump e remodelar a relação de Brasília com Washington.
O pano de fundo é a insatisfação de parte do eleitorado brasileiro com custo de vida e juros altos.
A leitura que prevalece fora do Brasil é que o resultado de hoje interessa menos pelo nome que vence e mais pelo sinal que dá sobre o alinhamento do maior país da América Latina nos próximos anos.
O que acontece agora
Até a conclusão desta matéria, o resultado do 2º turno ainda não havia sido definido. Milei já havia apostado publicamente na vitória de Flávio, chamando Lula de "ditador comunista".
Vizinhos da região já viveram essa virada no 2º turno depois de derrota no 1º, caso do próprio Milei e do chileno José Antonio Kast.
O desfecho de hoje deve definir se a Casa Rosada segue tratando o Brasil como parte da 'onda azul' ou se o mapa apresentado por Ravier precisa ser refeito.































