A rede de relações do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, é majoritariamente de centrão e direita, mas a esquerda é o grupo mais associado ao escândalo, mostra pesquisa Datafolha de 18 de setembro. Analistas ouvidos pela Folha de S.Paulo apontam motivos para o descompasso.
A pesquisa, contratada pela Globo e pela Folha, ouviu 2.002 pessoas entre 15 e 16 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança, e o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04029/2026.
Ao espectro político que reúne a maioria dos envolvidos no caso, 34% dos entrevistados apontaram a esquerda e 27%, a direita. Outros 10% citaram o centro, 13% disseram "políticos de todas as posições" e 16% não souberam responder.
Numa pesquisa anterior da mesma série, feita no início de abril, a diferença era maior: 38% associavam o caso à esquerda contra 20% à direita, um intervalo de 18 pontos que caiu para 7 em cinco meses.
A percepção de que o caso é "de esquerda" vem encolhendo, não crescendo, mesmo com operações recentes mirando nomes de todos os campos.
Por que a esquerda é mais associada ao caso?
Para o cientista político Jorge Chaloub, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o volume de informação picada atrapalha a compreensão do público.
"Num caso de corrupção mais intrincado como o Master, boa parte dos leitores lê manchetes, fragmentos, ou recebe um recorte da notícia por rede social", diz Chaloub.
Celso Rocha de Barros, colunista da Folha e doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, atribui parte do efeito ao ritmo das denúncias, que apareceram aos poucos ao longo do ano e dificultaram a formação de um quadro geral pelo público.
O PT, quando teve o petrolão, foi corretamente massacrado. Isso não vai acontecer dessa vez. Teve um petrolão de direita e ninguém ficou sabendo.
A frase é de Rocha de Barros, para quem a imprensa poderia ter sido mais clara ao mostrar a predominância de políticos de direita nas relações de Vorcaro.
Outros fatores citados pelos analistas: o histórico de corrupção em governos do PT em décadas passadas, a dispersão do campo da direita entre vários nomes e a proximidade do governo Lula com o ministro do STF Alexandre de Moraes, que ficou no centro do caso.
Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, é formalmente investigado no inquérito que envolve o filme "Dark Horse", que recebeu ao menos R$ 65 milhões de Vorcaro. Ele nega irregularidades nas transações, tratadas em delação já fechada pela PGR.
No centrão, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) era próximo de Vorcaro e foi alvo de operação da Polícia Federal que suspeita ter ele recebido mesada do Master para agir a favor do banco no Congresso. Nogueira diz que a ação tentou manchar sua honra.
Na esquerda, a PF chegou a Jaques Wagner (PT-BA), que deixou a liderança do governo Lula no Senado após operação sobre suspeita de vantagens indevidas recebidas do Master. Ele nega as acusações.





























