O Congresso Nacional brasileiro ocupa a 138ª posição no ranking de participação feminina em parlamentos do mundo, elaborado pela União Interparlamentar (IPU). Mulheres ocupam 88 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e 15 das 81 vagas do Senado, mesmo sendo 52,8% do eleitorado.
O país fica abaixo da média mundial de participação feminina em parlamentos, de 27,3%, e também da média das Américas, de 35,7%, segundo a IPU. Bolívia e México já ultrapassam 50% de participação feminina no mesmo recorte.
A distância entre quem vota e quem ocupa cadeira não é novidade. A TV Sim Brasil já mostrou que o hiato entre eleitorado e representação chega a 35 pontos percentuais na Câmara dos Deputados.
Por que a participação feminina é tão baixa?
Não há uma causa única, segundo pesquisadoras ouvidas pela CNN Brasil. Os obstáculos começam antes da candidatura, na forma como homens e mulheres são incentivados a ocupar espaços diferentes na sociedade. Eles se acumulam ao longo de toda a vida política.
A eleição de um maior número de mulheres é uma verdadeira corrida de obstáculos, diz a professora de ciência política da UFMG Marlise Matos.
Segundo Matos, a sobrecarga do cuidado da casa e da família reduz o tempo disponível das mulheres para construir uma candidatura.
Para a professora Flávia Biroli, da Universidade de Brasília (UnB), a raiz é histórica.
"As mulheres foram orientadas para atividades na esfera privada, como se essa fosse naturalmente sua competência, enquanto os homens ocuparam posições que lhes permitiram controlar recursos de poder", afirma Biroli.
O que muda nas candidaturas de 2026?
As candidaturas de mulheres a deputada federal caíram de 3.717 em 2022 para 2.820 em 2026, queda de 24%, segundo o Portal da Câmara dos Deputados. Ainda assim, a fatia de mulheres entre os candidatos subiu de 35% para 36,7%.
O panorama nacional é mais ambíguo. Enquanto a fatia geral de candidaturas femininas bateu recorde em 2026, segundo levantamento que a TV Sim Brasil publicou em agosto, o número de mulheres concorrendo a deputada federal caiu no mesmo período.
A queda acompanha uma redução mais ampla nas candidaturas a deputado federal, provocada pela nova cláusula de barreira que reduziu o número total de concorrentes em 28% neste ano.
Nas eleições majoritárias, o retrocesso é mais nítido. Nenhuma mulher está nas chapas presidenciais de partidos com representação no Congresso, e 34 candidatas disputam governos estaduais e o Distrito Federal, ante 38 em 2022.
O ponto em aberto
A proporção de mulheres eleitas para a Câmara quase dobrou entre 2010 (8,77%) e 2022 (17,7%). Com menos candidatas a deputada federal neste ano, resta saber se essa curva histórica segue subindo ou estaciona em 2026.





























