Grupos de oração em português mantêm brasileiros católicos ligados à fé e ao Brasil em Paris, na primeira visita de um papa Leão XIV à França em 18 anos. Neste sábado (26/9), ele celebra missa para 600 mil fiéis na Praça da Concórdia.
Paulo César Santana organiza há 11 anos o grupo de oração Embaixadores de Cristo, em Paris. "Em torno de umas 100 pessoas, a gente tem certeza de que vão", disse. "Há outros católicos que também vão a paróquias francesas perto de casa", completou.
"Eu converso com pessoas que acolheram o papa João Paulo II na JMJ e me falam com brilho nos olhos", conta o padre Wellington Santos Pires, o "père Welly", na França desde 2016. "A presença do papa não deixa as pessoas indiferentes", completou.
Para muitos brasileiros na França, a fé em português também é forma de manter laços com o país de origem, longe de casa.
A visita gera números que dimensionam o interesse. 300 mil pessoas saudaram o papa no papamóvel na sexta-feira (25/9), e 80 mil jovens o receberam numa vigília no Stade de France.
A Igreja da França orçou € 27 milhões para os quatro dias de visita, que passam por Paris, Lourdes e Metz.
Horas antes da missa, Leão XIV visitou a Casa Bakhita, associação que apoia migrantes, e ouviu testemunhos de exilados do Afeganistão e da Nigéria.
"Estou feliz em começar este segundo dia em Paris com vocês, nesta casa que é um testemunho de que é possível se encontrar e conviver com dignidade e paz", disse o papa.
A visita ocorre enquanto partidos de ultradireita avançam na Europa com discurso anti-imigração. Na França, a candidata Marine Le Pen lidera as pesquisas para a eleição presidencial de 2027.
O tema também atinge brasileiros que vivem no continente: países europeus vêm reforçando o controle de fronteiras para não europeus, incluindo brasileiros no espaço Schengen.
Revistas francesas apontam ainda disputas dentro da própria Igreja. A L'Express nota divergências entre Vaticano e governo francês sobre a legislação de assistência para morrer. Já a Le Nouvel Obs descreve a tensão entre católicos progressistas e setores tradicionalistas.
Por que o momento é delicado na França?
A visita apostólica (quatro dias em Paris, Lourdes e Metz) chega a sete meses da eleição presidencial de 2027, com a imigração como um dos temas centrais da disputa e Le Pen à frente nas pesquisas, segundo as revistas francesas.
O ponto em aberto
O papa pediu convivência com dignidade para migrantes na mesma semana em que a candidata que lidera as pesquisas para a França de 2027 faz da imigração bandeira central da campanha.
A visita mobilizou multidões em Paris, mas não resolve essa distância. Falta saber se o apelo do papa muda a conversa francesa sobre migração antes da eleição, ou se fica como gesto simbólico de quatro dias.





























