A GloboNews pediu desculpas nesta sexta-feira (25) por informar que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) defenderia um projeto de lei para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O boato saiu do programa "Em Pauta", na quinta-feira (24).
Uma correção: nesta 5ª feira (24.set.2026), no GloboNews Em Pauta, a jornalista Maria Cristina Fernandes falou de um movimento na Igreja Católica em suposta reação a uma parcela de evangélicos que estaria mobilizando um projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Essa proposta foi apresentada em dezembro de 2007, mas arquivada pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em agosto de 2008. Nós pedimos desculpas pelo erro.
O comentário viralizou nas redes sociais antes da correção ser lida na madrugada desta sexta, na "Edição da Meia-Noite" da GloboNews.
De onde veio o boato?
O projeto citado é o PL 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli (PMDB-MT) em 12 de dezembro de 2007. Ele propunha trocar "Padroeira do Brasil" por "Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos" na lei do feriado de 12 de outubro.
O feriado seria mantido. Galli justificava a mudança pela laicidade do Estado, prevista no artigo 19 da Constituição, que proíbe a União, estados e municípios de estabelecer ou subvencionar cultos religiosos.
A proposta foi rejeitada pela Comissão de Educação e Cultura por unanimidade em julho de 2008 e arquivada em 22 de agosto de 2008, quase duas décadas antes da candidatura de Flávio Bolsonaro.
O que diz a análise sobre o episódio?
O teólogo Ronilso Pacheco, comentarista do UOL News, chamou a hipótese de "suicídio político". Nenhum político sensato mexeria com um símbolo tão identificado com a cultura brasileira, porque isso abre um flanco de desconfiança dos dois lados religiosos.
Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro atribuiu o episódio a um esforço do adversário: disse que a "máfia do PT vai espalhar várias mentiras" até a eleição e afirmou que Lula "quer se meter até nas regras da Igreja Católica".
Uma declaração anterior de Flávio, de que decretaria "que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo" caso eleito, ajudou a dar corpo ao boato entre eleitores. A fala havia sido dada como resposta às críticas por sua ausência no debate da Band, em agosto.
O que acontece agora
A poucos dias do primeiro turno, boatos como este tendem a se repetir. O TSE mantém uma página própria de combate a desinformação eleitoral, a Fato ou Boato.
O episódio ocorre em meio a uma disputa apertada: pesquisas recentes mostram Lula e Flávio em empate técnico num eventual segundo turno.





























